Resgate é colocado em xeque e eleva juros de títulos da Espanha e Portugal

Euforia com o pacote de liquidez é substituída por questionamentos quanto à eficácia das medidas anunciadas pela UE

Publicidade

SÃO PAULO – O rendimento demandado pelos investidores para os títulos de dívida da Espanha e de Portugal voltaram a subir no mercado secundário nesta segunda-feira (02), ao passo que a euforia com o pacote de resgate europeu, anunciado após a reunião de cúpula na última sexta-feira (29), é substituída por uma série de questionamentos. A ata final da reunião de líderes da Zona do Euro deixou muitos detalhes operacionais de fora, o que coloca em xeque a eficácia das medias divulgadas.

O rendimento do título de dez anos da Espanha, por exemplo, chegou a cair para 6,15% nesta manhã, mas logo retomou uma trajetória de alta e ao final desta manhã já apresenta uma taxa de 6,36%.

Dentre os pontos nebulosos está o pacote de € 130 bilhões. Do total, apenas € 15 bilhões serão incrementados no sistema financeiro europeu, tendo em vista que € 115 bilhões já estavam disponíveis nos fundos de resgate do bloco.

Além disso, membros do bloco já demonstram falta de consenso quanto à capitalização do ESM (Fundo de Estabilização Europeu) e o EFSF (Fundo de Estabilização Financeira Europeu). A Finlândia e a Holanda se posiocionaram contra a compra de títulos públicos de economias emergentes. Para que a medida seja aprovada, é preciso unanimidade entre os países-membros.

Outros ingredientes que têm afetado o otimismo na Zona do Euro são os indicadores de atividade industrial e desemprego no bloco monetário. Segundo levantamento do HSBC, o PMI (Purchasing Managers’ Index) da manufatura não registrou evolução em junho, permanecendo em 45,1 pontos. Já a taxa de desocupação do bloco atingiu o recorde de 11,1%.

Confira o desempenho dos títulos públicos de dez anos no mercado secundário europeu: 

Continua depois da publicidade

País Rendimento Variação Yield/Bund (Alenha)*
Grécia 25,46% -1,39% 23,94
Portugal 10,16% +0,02% 8,64
Itália 5,71% -1,77% 4,19
Espanha 6,34% +0,27% 4,82
França 2,62% -2,31% 1,10
Alemanha 1,52% -3,85% –

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.