Resgate da Celg é prejudicial para Eletrobrás, diz BoA Merrill Lynch

Analistas sinalizam possível aumento da percepção de risco político; ações da Eletrobrás são preteridas pelas da Celg

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SÃO PAULO – O Governo Federal está perto de resgatar a distribuidora Celg (GPAR3); com isso, os analistas do Bank of America Merrill Lynch avaliam que a transação é negativa para a Eletrobrás (ELET3, ELET6) e reiteram a recomendação de “underperform” (abaixo da média) para seus papéis.

Desta forma, os analistas ressaltam que a Eletrobrás possui pouca experiência em operar subsidiárias descentralizadas e apontam um eventual aumento da percepção do risco político. De acordo com notícias veiculadas na imprensa, o acordo pode ter poder de barganha quanto ao apoio às eleições presidenciais de 2010.

A Celg é uma distribuidora de Goiás que não recebe ajustes tarifários desde 2006 e o pacote de auxílio envolveria um financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Eletrobrás, convertendo obrigações antigas em uma fatia minoritária e em uma posição administrativa.

“Apesar da grande chance de melhora da Celg – reduzindo custos e perdas – e dos recentes esforços da Eletrobrás em centralizar a administração de suas subsidiárias distribuidoras visando melhorar a eficiência, nós esperamos que o progresso seja gradual”, afirmam os analistas.

Light x Eletrobrás

O BoA Merrill Lynch também recomenda “underperform” (abaixo da média) para as ações da Light (LIGT3), mas as veem como uma opção melhor que as da Eletrobrás para investidores que procurem por melhoras operacionais na distribuição.

A visão cautelosa quanto a Eletrobrás reflete sua exposição ao mercado regulado, no qual é esperado menores preços de geração. Ademais, a companhia possui um alto risco em função da concessão, já que parte significativa dela expira entre 2015 e 2017, aponta o banco.

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Ainda assim, os analistas preferem ELET3 à ELET6, uma vez que a primeira possui dividendos de R$ 11,01 por ação para serem pagos. Eles, contudo, continuam “céticos considerando o pagamento no curto prazo”, afirmam. Por fim, o fortalecimento do real pode ser prejudicial para a Eletrobrás, que tem contas a receber em dólar.