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SÃO PAULO – Do fim das negociações asiáticas aos contratos futuros de índices acionários nos EUA o sinal desta segunda-feira (11) é positivo, e a palavra que impulsiona os ganhos é a mesma: Espanha.
“A solicitação de um pacote de auxílio financeiro, a fim de ter margem para recapitalizar os bancos e evitar assim uma corrida aos saques deve ditar os rumos dos mercados nos próximos dias, na expectativa de que a disponibilização de recursos ao país e seus bancos traga alguma calmaria, pelo menos em um primeiro momento”, escreve Miriam Tavares, diretora de câmbio da AgK Corretora.
Entretanto, Tavares alerta para os possíveis efeitos negativos das declarações de Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol, de que a crise econômica deverá se intensificar mesmo com a ajuda internacional.
Durante o final de semana o país confirmou o pedido de até € 100 bilhões para salvar o setor bancário do país. O montante será disponibilizado pelos fundos de resgate da Europa, mas o fato que gera mais repercussão é o de não haver contrapartidas econômicas, contrariando o pacote que foi dado aos demais – Irlanda, Grécia e Portugal.
Mercados acionários respondem em alta
Na Europa, diversas bolsas avançam cerca de 2%, sendo que o Ibex 35, de Madri, tem alta de 2,4%. No entanto, o sentimento positivo não é unânime na região, assim como pode ser visto no FTSE MIB, de Milão, com ganhos modestos de 0,50%. Nos EUA, os contratos futuros também sugerem um dia de ganhos para as bolsas.
Contudo, o rendimento exigido pelos investidores para comprarem títulos públicos de dez anos da Espanha continua seu movimento de alta. Em leve movimento positivo de 0,08 ponto percentual, o título já chega aos 6,30%.
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Espanha provoca otimismo e revolta
Dessa forma, surgem notícias de que políticos destes países também querem renegociar seus pacotes de resgate, de modo a conseguirem condições mais favoráveis, assim como a Espanha.
Alexis Tsipras, líder do Syriza, partido radical de esquerda na Grécia e um dos favoritos para a próxima eleição, ressaltou que esse evento reforça a visão da necessidade de renegociar os termos do resgate. Portanto, a eleição na Grécia, que ocorrerá no próximo fim de semana, deve ganhar ainda mais destaque nos próximos dias.
O fato serve para nos lembrar que a crise persiste, e não necessariamente apenas a economia europeia é quem sofre. Nesta manhã o analista Joydeep Mukherki, da Standard & Poor’s, alertou que a Índia pode se tornar o primeiro BRIC (conjunto de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China) a perder o grau de investimento.
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China desacelera, mas nem tanto
Enquanto isso, os investidores no Brasil continuam prestando atenção a um de seus principais parceiros comerciais, a China. Por lá, dados sobre a economia referente a maio forneceram sinalizações distintas, mas de um modo geral os analistas avaliam que a desaceleração não é tão forte quanto se especulava.
“A produção industrial e as vendas no varejo vieram ligeiramente abaixo das expectativas, mas as exportações e as importações entregaram grandes surpresas positivas”, escreve Wei Yao, analista do Société Générale, o qual prevê um PIB (Produto Interno Bruto) de 7,6% neste trimestre.