Requião diz que não repassará reajuste e ações da Copel despencam

Analistas da Ativa e da Socopa divergem quanto a impactos do não repasse sobre a performance das ações da estatal

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SÃO PAULO – A Copel (CPLE6) não repassará aumento nas tarifas de energia elétrica que eventualmente seja determinado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), declarou o governador do Paraná, Roberto Requião. A afirmação foi posteriormente confirmada oficialmente pela própria empresa.

A medida teria como objetivo funcionar como fator de estímulo às novas indústrias no Estado em meio ao momento de desaceleração econômica. Em resposta, entretanto, as ações da companhia despencam neste pregão, em baixa de 5,15%.

Nos próximos dias, a agência deve anunciar um índice de reajuste para a distribuidora que deverá entrar em vigor no dia 24 de junho. Mesmo ainda não tendo anunciado a nova tarifa, a variação deve ser positiva, dado o encarecimento da energia elétrica no último trimestre do ano passado, graças à subida do dólar e ao despacho de termelétricas no período.

Impactos

Os analistas da Socopa entendem que a declaração não deve prejudicar o desempenho das ações da estatal, uma vez que Requião deu mostras logo no início do ano de que não aplicaria às tarifas da Copel o reajuste que fosse determinado pela Aneel.

Ante isso, a corretora mantém seu preço-alvo para os papéis da companhia a R$ 35,00, considerando que a decisão do governo paranaense não altera suas projeções. Dada a alta acumulada de 27 % no ano para as preferenciais da empresa, agora deve ser o momento para uma realização – o que representaria boa oportunidade de compra para os investidores com visão de longo prazo.

A Ativa, de outro modo, não vê com bons olhos a decisão, apesar de ela não ser exatamente surpreendente. Na opinião dos analistas, a atitude do governo terá efeito bastante desfavorável sobre o desempenho dos papéis da empresa no curto prazo e contribuirá para o aumento da percepção de risco do investidor quanto à ingerência política na gestão da companhia.

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Contudo, os analistas ressaltam que o reajuste não repassado agora ao consumidor será acumulado em ativo regulatório, de forma a ser compensado no futuro.