República do Brasil completa emissão de US$ 1 bilhão

Apesar das dificuldades enfrentadas, montante atinge US$ 1 bilhão e spread é o mais baixo do ano

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SÃO PAULO – A emissão de bônus globais de oito anos da República Federativa do Brasil foi completada na tarde desta quinta-feira, atingindo o montante previsto inicialmente de US$ 1 bilhão. Esta foi a quarta emissão da República em 2002, elevando o total já captado a US$ 3,94 bilhões, contra uma meta de US$ 5 bilhões prevista para todo o ano.

Dificuldade na colocação leva ao aumento do spread

Após as dificuldades enfrentadas nesta quarta-feira, que levou parte do mercado a acreditar que o montante poderia ser reduzido para US$ 750 milhões, a decisão de aumentar o cupom e o spread, ou prêmio pago acima do rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano, atraiu os investidores. A pequena diferença de rendimento entre o novo papel e as emissões já negociadas no mercado secundário era o motivo que freava o interesse de alguns investidores.

O cupom foi aumentado de 11,875% para 12,00% ao ano, refletindo também a mudança do rendimento dos títulos norte-americanos de referência entre esta quarta e quinta-feira. O preço de emissão foi de 98,086, resultando em um rendimento de 12,384% ao ano, ou 719 pontos base (7,19 pontos percentuais) acima dos bônus de referência. A expectativa do mercado era que o spread fosse de 710 pontos base.

Spread é o mais baixo do ano

Considerando-se apenas as emissões realizadas em dólares, que são facilmente comparáveis, o prêmio pago por esta emissão foi o mais baixo dentre as três emissões denominadas na moeda norte-americana realizadas pelo Brasil este ano.
Na primeira, realizada em janeiro no montante de US$ 1,25 bilhão e prazo de 10 anos, o spread foi de 754 pontos base. Já na segunda emissão, que foi completada no início de março, o prêmio pago foi de 738 pontos base para um prazo de seis anos e valor de R$ 1,25 bilhão. A terceira emissão foi realizada no mercado europeu, totalizando 500 milhões de euros.

A queda do spread sinaliza a melhor percepção dos investidores externos, e é uma importante medida de avaliação de risco comparativo entre diversos países.