Publicidade
SÃO PAULO – Analisando as idas e vindas da economia desde o período pré-crise até os dias de hoje, Dirceu Bezerra, fundador da Rosenberg & Associados, acredita que as projeções atuais para o crescimento da economia global encontram-se em números fora da realidade, o que acaba causando uma precificação distorcida dos ativos no mercado.
Diante disso, ele acredita que a reprecificação dos ativos é o que vai determinar o ritmo de desaceleração do crescimento econômico, apostando em uma possível recessão ou então em anos de crescimento abaixo do potencial.
Projeções de crescimento dos EUA estão erradas
Bezerra se lembra das previsões de crescimento econômicas “estapafúrdias” proliferadas anteriormente, fruto das imensas quantias de liquidez injetadas pelo governo norte-americano. “Até um ou dois meses atrás, havia consenso nos mercado de que os EUA cresceriam entre 3% e 5% em 2011 e entre 4% e 4,5% em 2012. Só recentemente as previsões estão sendo revistas para algo em torno de 2,5% e 3,5%, também inatingíveis”, afirma.
Assim, ele lembra de diversos problemas ainda não superados, ou recém-surgidos, na principal economia, como motivos para que estas projeções não sejam alcançadas. Bezerra fala do preocupante elevado nível endividamento da pessoa física nos EUA, “lembrando que o consumo é responsável por quase 70% do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano, do nível de desemprego persistente na zona dos 9%, com alta para 17% quando considerados o desalento e os trabalhos apenas em tempo parcial, além da perda da renda real – motivos os quais deverão gerar uma baixa propensão ao consumo na maior economia mundial.
Bezerra aponta diversos motivos para permanecer cético em relação ao cenário econômico norte-americano. Entre eles, ele destaca a alavancagem dos bancos, a inflação em alta mesmo com os juros próximos de zero e a reaparição dos hedge funds – tidos como grandes “vilões” na crise de 2008.
Desequilíbrio fiscal é o atual vilão
Sobre a inflação, o fundador da consultoria destaca a velocidade do ritmo inflacionário, a distorção absurda nos preços relativos e os fortes desequilíbrios fiscais, tratando este último ponto como “a ponta do iceberg”, assim como o subprime foi da crise financeira de 2008.
Continua depois da publicidade
Assim sendo, o caso é muito mais grave no G-7, grupo das principais economias do mundo, e também nos países da Europa Oriental, gerando um quadro instável, que não poderá durar por muito tempo. “Medidas fiscais muito duras terão que ser tomadas e, em alguns casos, acompanhadas de monetárias, para sair da armadilha de liquidez que se está configurando”.
Reprecificação dos ativos determina ritmo da economia
Com isso, as taxas de crescimento econômico serão fortemente revistas para baixo, fazendo com que inicie-se um processo para reprecificar os ativos conforme essas novas projeções, o que para o sócio-diretor da Rosenberg deverá “trazer a liquidez e a riqueza para seus níveis reais”.
Ele também afirma que essa velocidade desses reajustes em larga escala dos preços também determinará a velocidade da desaceleração da economia como efeito. Para Bezerra, se o movimento for forte, a economia passará por uma recessão como resultado.
Continua depois da publicidade
Ele também afirma que caso o movimento não seja tão violento assim, destacando que para isso os governos devem agir sobre os desiquilíbrios macro da economia com agilidade, poderemos vir a ter alguns anos de crescimento econômico abaixo de seu verdadeiro potencial, com um terceiro cenário improvável para Bezerra.