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SÃO PAULO – “O sequestro” é talvez o evento mais esperado em relação à economia norte-americana desde que o abismo fiscal foi evitado. Trata-se de cortes automáticos de US$ 85 bilhões por mês tanto nos programas sociais quanto no orçamento de defesa, a mesma quantia injetada pelo Quantitative Easing do Federal Reserve.
Para Bob Woodward, lendário repórter do escândalo Watergate – que levou à renúncia do presidente Richard Nixon -, o governo de Barack Obama mente ao afirmar que foram os republicanos que criaram este cenário, e que a própria situação, e não a oposição, que criou o mecanismo que pode tirar até 1% do potencial do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano de 2013. “Obama mentiu e criou ‘o sequestro'”, diz.
Esse evento, que deverá ocorrer na sexta-feira (1) se nenhum acordo ocorrer, pode ser o suficiente para derrubar as bolsas internacionais por algum tempo, um efeito que pode se alastrar para o Brasil. Woodward destaca que Obama não apenas criou “o sequestro” durante o julho de 2011, como também tem alterado a sua função constantemente, já que tirou o foco do “sequestro” de um meio a pressionar o congresso a descobrir quais custos poderiam ser cortados, para uma forma de pressionar por novos impostos.
Na época, Obama disse que o corte de gastos automático era algo que poderia ser tolerado, sem grandes problemas – caso nenhum acordo viesse. Um ano e meio depois, com baixas perspectivas sobre um acordo, o tom mudou: a intenção é evitar o sequestro a qualquer custo, já que ele deverá resultar em perda de atividade econômica e empregos nos EUA.
Para o jornalista, o governo subestimou o que o partido Republicano faria a respeito do sequestro – já que parece que boa parte do partido quer que o evento venha a ocorrer, para ajudar a reduzir o déficit governamental no longo prazo. A tentativa de usar “o sequestro” como forma de pressão, falhou, e o preço dessa falha, para Woodward, deve ser a ocorrência do evento.
A intenção era evitar um default no meio da crise do teto da dívida em 2011 – algo que eventualmente foi evitado. Contudo, uma nova crise da dívida deve começar em breve, já que o teto da dívida é atingido em meados de março. Para Woodward, as conversas passadas entre o governo Obama e o partido Republicano podem ser ainda mais graves, pelo fato de que as tensões entre os dois grupos tem se elevado.