Rentabilidade de 10.502.205%, crédito falso e mais: as suspeitas envolvendo o Master 

Daniel Vorcaro, dono da instituição, voltou a ser alvo de operação da Polícia Federal

Agência O Globo

Sede do Banco Master em São Paulo (Foto: Mariana Amaro / InfoMoney)
Sede do Banco Master em São Paulo (Foto: Mariana Amaro / InfoMoney)

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As investigações sobre fraudes no Banco Master revelaram, até agora, suspeitas de criação e negociação de títulos de crédito falsos, tentativas de burlar a fiscalização do Banco Central (BC) e empréstimos seguidos de transações-relâmpago com rentabilidade de até R$ 10 milhões. Por conta disso, a Polícia Federal (PF) realiza nesta quarta-feira (dia 14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades no banco.

O dono da instituição, Daniel Vorcaro, foi alvo de busca e apreensão. Ele chegou a ser preso na primeira fase da operação, em novembro, mas depois foi solto.

Envolvimento do BRB

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As investigações apontaram que o Master e o Banco de Brasília (BRB) teriam “fabricado” títulos de crédito que nunca existiram para justificar a transferência de R$ 12,2 bilhões do banco estatal de Brasília para o Master.

O BRB tentou comprar a instituição de Vorcaro, mas a operação foi barrada pelo banco Central (BC). Posteriormente, a autoridade monetária decretou a liquidação do Master.

Segundo a apuração, o BRB realizou operações inconsistentes com o Master em uma tentativa de dar uma sobrevida à instituição, enquanto o BC analisava a proposta de venda.

Parte das suspeitas envolvendo o Master foi identificada BC e encaminhada para investigadores. Um dos fatos que chamou atenção foi uma sequência de transações relâmpagos feitas por uma rede de fundos de investimento administrados pela gestora de recursos Reag DTVM a partir de um empréstimo de R$ 459 milhões da instituição financeira de Daniel Vorcaro. Uma das operações consideradas suspeitas teve rentabilidade de 10.502.205,65% em 2024.

Entre os fundos com transações incomuns está Fundo Brain Cash que, com apenas 20 dias de existência, recebeu R$ 450 milhões a partir de um empréstimo do Master e multiplicou em cerca de 30 mil vezes o seu patrimônio. Essa transação foi a única registrada no balanço do fundo, que tinha apenas um investidor: uma empresa dirigida por uma ex-funcionária da Reag.

De acordo com o BC, os empréstimos suspeitos do Master, concedidos para 36 empresas, foram aplicados em fundo com rendimento incerto e inferior ao custo da operação. O volume dessas operações chegou a mais de duas vezes o tamanho do patrimônio da instituição financeira em agosto do ano passado.

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A Reag entrou na mira da Operação Carbono Oculto, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustível e empresas financeiras.

Defesa de Vorcaro

Em nota divulgada nesta quarta-feira, a defesa de Vorcaro afirmou que ele “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.

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“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais”, diz o texto.