Renner (LREN3) corta guidance após 2T fraco, preocupa com vendas e ações desabam 10%

Renner reduziu sua projeção de crescimento da receita de varejo para 2026 para uma faixa entre 4% e 8%, ante a estimativa anterior de 9% a 13%

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A Lojas Renner (LREN3) reportou um segundo trimestre de 2026 abaixo das expectativas do mercado e anunciou uma redução nas projeções de crescimento de receita para este ano, movimento que deve aumentar o ceticismo dos investidores em relação à capacidade da varejista de acelerar as vendas nos próximos meses. Com isso, às 10h10 (horário de Brasília) desta sexta-feira (7), os papéis caíam 10,16%, a R$ 12,11.

A companhia registrou receita líquida consolidada de R$ 4,2 bilhões no período, alta de apenas 1% na comparação anual, enquanto o lucro líquido ficou praticamente estável em R$ 405 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado somou R$ 845 milhões, queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números vieram abaixo das projeções de bancos e corretoras.

O principal ponto de preocupação, porém, foi o desempenho das vendas. As vendas mesmas lojas (SSS) do varejo avançaram apenas 0,5% na comparação anual, muito abaixo do observado em concorrentes como C&A (CEAB3) e Grupo Guararapes (RIAA3), além de ficar aquém das expectativas do mercado.

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Diante desse cenário, a Renner reduziu sua projeção de crescimento da receita de varejo para 2026 para uma faixa entre 4% e 8%, ante a estimativa anterior de 9% a 13%. A companhia atribuiu a revisão a um ambiente macroeconômico mais desafiador, à concorrência crescente de plataformas internacionais após mudanças tributárias e à queda de fluxo de consumidores observada durante a Copa do Mundo.

Corte de guidance domina avaliação dos analistas

O Bradesco BBI classificou os resultados como negativos e afirmou que o corte de guidance acaba ofuscando os avanços operacionais da companhia.

Segundo o banco, o fraco crescimento das vendas e a revisão das projeções enfraquecem a tese de investimento e reforçam a percepção de que a Renner está mais vulnerável ao cenário macroeconômico. Para os analistas, o resultado deve ampliar o ceticismo do mercado sobre a capacidade da empresa de entregar suas metas.

O JPMorgan seguiu linha semelhante e afirmou esperar reação negativa das ações. O banco destacou que o novo guidance confirma preocupações com a demanda e ainda exige uma aceleração significativa do crescimento no segundo semestre para ser cumprido. A instituição também observou que, mesmo após a revisão, suas projeções continuam exigindo crescimento de dois dígitos das vendas na segunda metade do ano.

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O Goldman Sachs também prevê reação negativa do mercado, avaliando que os investidores devem concentrar atenção na redução do guidance e no aumento da pressão competitiva exercida por plataformas internacionais de comércio eletrônico.

Margens continuam resilientes

Apesar da desaceleração das vendas, a Renner apresentou indicadores operacionais considerados positivos.

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A margem bruta do varejo avançou 0,4 ponto percentual, para 57,5%, atingindo um nível recorde para a companhia. Segundo a administração, o resultado foi beneficiado por maior participação de vendas a preço cheio, melhor gestão de estoques, ganhos de eficiência na cadeia logística e pelo real mais valorizado frente ao dólar.

O JPMorgan destacou que o avanço da margem e a redução das provisões para bônus ajudaram a preservar a rentabilidade mesmo diante do crescimento modesto das vendas. Já a XP observou que a Renner continuou apresentando a maior margem Ebitda do setor graças à elevada produtividade das lojas.

O banco americano ressaltou ainda que os estoques cresceram 6,5% em relação ao ano anterior, mas a quantidade de produtos com mais de 16 semanas caiu quase 12%, indicando qualidade considerada saudável do inventário.

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Outro ponto de atenção veio da operação financeira Realize. O resultado da divisão caiu 22% na comparação anual, para R$ 54 milhões, afetado pela postura mais conservadora na concessão de crédito e pela deterioração dos indicadores de inadimplência. O índice de atraso aumentou 0,6 ponto percentual em um ano, para 29%, enquanto a carteira de crédito recuou 1%, para R$ 6,4 bilhões.

A XP avaliou que o Ebitda da Realize ficou abaixo das expectativas por conta de despesas operacionais mais elevadas, enquanto o Goldman Sachs afirmou que a piora da rentabilidade e da qualidade da carteira deve gerar questionamentos adicionais dos investidores.

O que esperar para o segundo semestre

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Mesmo após reduzir a projeção para 2026, a administração reiterou a expectativa de aceleração do crescimento ao longo do segundo semestre, apoiada por bases de comparação mais favoráveis, expansão da área de vendas, reabertura de lojas reformadas e novas iniciativas comerciais e digitais.

A companhia também manteve inalteradas as metas de longo prazo para abertura de lojas, expansão de margens, retorno sobre capital investido (ROIC) e crescimento até 2030. Além disso, reforçou sua política de retorno aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações.

Para a XP, porém, a Renner ainda precisa revisar sua estratégia comercial e recuperar o status de destaque operacional que historicamente possuía frente aos concorrentes. A corretora acredita que os papéis devem refletir a surpresa negativa com os resultados e o corte de guidance, embora o programa de retorno de capital, com yield próximo de 5,8%, possa oferecer algum suporte às ações.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Investimentos

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.