Rendimentos de papéis europeus guiam percepção de risco do mercado

Juro exigido pelo mercado para os títulos de França, Espanha e Itália evidenciam nervosismo apesar de volatilidade das bolsas recuar

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SÃO PAULO – Tudo mais constante, a deterioração econômica e fiscal da Zona do Euro deve seguir pautando o mercado nesta quinta-feira (17), com evidente foco no comportamento dos títulos públicos dos países no olho do furacão.

“Apesar da menor volatilidade das bolsas, ainda se observa elevação no yield [rendimento exigido por investidores] praticado dos títulos de Espanha e Itália, prenúncio de aversão a risco no horizonte”, explica Marco Melo, head de análise & pesquisa da Ágora Corretora.

A fala do analista exprime bem como os investidores estão lidando com o cenário tenso. Por um lado, as já combalidas bolsas de valores internacionais não estão mais, ao menos por ora, na montanha russa observada nas últimas semanas, embora também não haja sinais de recuperação.

Percepção de risco sobe…
Entretanto, por outro lado, o yield dos títulos dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), estão mais uma vez no centro do radar dos investidores, pois revelam a quantas anda o apetite do mercado acerca do risco embutidos nestas economias.

Em suma, prevalece uma regra básica de finanças, que confronta risco e retorno: investidores estão exigindo um retorno cada vez maior destes títulos por crer que há embutido neles um risco cada vez maior de calote.

Logo, com um juro maior exigido pelo mercado, estes países de fato terão maior dificuldade de rolagem da dívida, que fica cada vez mais cara, dificultando ainda mais a tarefa de reequilibrar as finanças do país.

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…e yields acompanham
Para ilustrar, o rendimento dos títulos públicos de dez anos da França e da Espanha dispara nesta quinta-feira e atinge novos recordes desde a criação da Zona do Euro. O movimento reflete a preocupação dos investidores sobre o contágio da crise da dívida que ameaça a região e vem antes da emissão de bônus dos dois países ainda nesta jornada.

França e Espanha pretendem captar, juntos, € 12,2 bilhões no mercado primário de dívida. O governo espanhol leiloará até € 4 bilhões em bônus com vencimento em 2022, enquanto os franceses venderão até € 8,2 bilhões em títulos da dívida de curto e médio prazos.

O yield dos títulos públicos de dez anos da Espanha sobem 0,34 ponto percentual, para 6,73% a.a. Esse é o nível de rendimento mais alto desde 1999. No caso dos papéis franceses, destaque para a diferença entre a taxa de títulos a dez anos do país em comparação com a Alemanha. O “spread”, a diferença entre as taxas, superou 2 pontos percentuais pela primeira vez na era do euro.

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Como não podia ser diferente, o yield dos títulos italianos também segue em forte escalada, rompendo a barreira psicológica dos 7,0% a.a., e atingindo 7,08% a.a.

Agenda movimentada nos EUA
Além de todo o peso da agenda europeia, cabe lembrar ainda a influência que Wall Street, onde a situação também está longe de ser tranquila, injetará gradualmente no mercado nas próximas horas com a divulgação de diversos indicadores econômicos.

Às 11h30, de Brasília, haverá a divulgação do Initial Claims, que aponta semanalmente o volume de pedidos de auxílio-desemprego requeridos pelos norte-americanos, que serve como parâmetro das condições do mercado de trabalho local. No mesmo horário, haverá também a divulgação do número de imóveis em início de construção nos EUA.

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Em seguida, às 14h00, mais um indicador completa a agenda, Philadelphia Fed, que apresenta o resultado da pesquisa sobre o nível de atividade industrial na região que dá nome ao indicador.

Ibovespa
Para completar, no Brasil, sem indicadores nem resultados relevantes na agenda, espera-se mais um pregão com forte influência do front externo.

Sob a perspectiva da análise técnica, após o rompimento da LTB (Linha de Tendência de Baixa) na segunda metade de outubro, o Ibovespa tem perdido forças nos últimos dias, mostrando fracas oscilações entre os 60.000 pontos e 57.200 pontos.

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Dessa forma, o índice de ações tem ensaiado a formação de uma flâmula, figura que pode vir a ser uma boa indicação para um movimento ascendente mais forte, avalia Antonio Montiel, analista técnico e diretor da UM Educacional.

Conforme explica Montiel, o índice ainda precisa vencer a resistência dos 60.000 pontos para consolidar esse cenário, com projeção de busca até a resistência dos 63800 pontos.