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SÃO PAULO – O rendimento dos títulos de dez anos da Itália sobem 0,17 ponto percentual no mercado secundário nesta sexta-feira (25), superando mais uma vez a barreira psicológica dos 7%, em dia de leilão de dívida no mercado primário.
O Tesouro italiano vendeu € 8 bilhões em papéis para seis meses, mas pagou a maior remuneração para este tipo de dívida desde que entrou entrou no bloco do euro. O yield foi de 6,504%, bem acima dos 3,52% pagos em outubro, quando foi feito um leilão semelhante. A demanda pelos títulos também foi menor do que na última operação. Do mesmo modo, o rendimento para a emissão de dois anos também bateu recorde, aos 7,81%.
Espanha supera os 6%
A remuneração dos papéis espanhóis para 2021 também avançam e superam os 6% pela primeira vez desde a adoção da moeda única. O movimento precede um leilão de títulos públicos no mercado primário na próxima semana, quando Bélgica, França e Itália também testarão a aceitação dos investidores.
Os rendimentos de bônus de países europeus endividados sofreram uma nova onda de alta esta semana por conta das incertezas sobre a emissão de títulos de dívida conjuntos da Zona do Euro. Enquanto a Comissão Europeia apresenta propostas para a emissão desses papéis, como forma de conter a crise que ameaça o continente, a chanceler alemã, Angela Merkel, reitera sua oposição a criação dos eurobônus.
Portugal e Hungria se tornam especulativos
Os últimos dias também foram marcados pelo rebaixamento dos ratings de Portugal na véspera, e da Hungria nesta madrugada, pelas agências de classificação de risco Fitch e Moody’s, respectivamente. Com a medida, as notas dos países foram colocadas num patamar considerado especulativo.
Para fechar a semana, o jornal britânico Financial Times indicou que a Europa pode não conseguir aumentar os recursos do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), dos atuais € 440 bilhões para € 1 trilhão como planejado, em função da deterioração nas condições de mercado ao longo do mês passado.
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Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, sendo que a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.
Confira o desempenho dos títulos públicos na Zona do Euro:
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| País | Rendimento | Variação | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 29,88% | +0,00 p.p. | +27,68 |
| Portugal | 12,23% | +0,01 p.p. | +10,03 |
| Itália | 7,28% | +0,17 p.p. | +5,08 |
| Espanha | 6,70% | +0,07 p.p. | +4,50 |
| França | 3,67% | -0,05 p.p. | +1,47 |
| Alemanha | 2,20% | +0,00 p.p. | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg