Rendimento de títulos europeus desacelera com anúncio de pacote anticrise

Destaque vai para Espanha, Itália e Grécia, países mais beneficiados pelas medias divulgadas durante cúpula da UE

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SÃO PAULO – A reunião de cúpula da União Europeia, ao contrário das expectativas, tem gerado boas notícias para o mercado. No primeiro dia do econtro, os líderes concordaram em promover uma série de medidas concretas de combate à crise, o que já se reflete na pré-disposição dos investidores em assumir mais riscos.

No mercado secundário de títulos públicos, o rendimento dos papéis da Zona do Euro arrefeceram nesta sexta-feira (29), com destaque para Espanha (-6,58%), Itália (-4,96) e Grécia (-2,17%) – países mais vulneráveis à recessão do bloco.

Já na Alemanha, a maior economia da Zona do Euro, indicadores econômicos mais fracos ofuscaram as boas notícias divulgadas em Bruxelas. As vendas do varejo recuaram mais que o previsto no país, abalando a confiança do investidor no que compete à capacidade alemã de recuperação da crise que acomete todo o bloco monetário.

Os juros demandados pelos títulos de dívida na Alemanha subiram 6,87% nesta manhã. Vale destacar, ainda, que a postura da chanceler, Angela Merkel, também tem afetado a credibilidade alemã. Após o anúncio das medidas de combate à crise, em Bruxelas, Merkel declarou não concordar com a emissão de títulos conjuntos, os eurobônus, para resgatar os países em dificuldades.

Europa unida
Os países da União Europeia concordaram em realizar uma série de medidas conjuntas de combate à crise, como a criação de um órgão central de supervisão do sistema financeiro do bloco, além de um pacote de € 120 bilhões para impulsionar os países mais vulneráveis. O órgão também sinalizou para a recapitalização direta dos bancos pelos fundos de resgate e para medidas que comprem títulos da dívida de países da região. 

O presidente da Comissão Europeia, Herman van Rompuy, afirmou que esses países receberão ajuda financeira temporariamente pelo fundo de resgate EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), enquanto o bloco aguarda a criação e capitalização do ESM (Mecanismo Europeu de Estabilização). 

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Confira o desempenho dos títulos públicos de dez anos no mercado secundário europeu:

País Rendimento Variação Spread vs. Bund*
Grécia 26,02% -2,17% +24,41
Portugal 10,17% +0,01% +2,02
Itália 5,88% -4,96% +4,27
Espanha 6,48% -6,58% +4,87
França 2,71% +1,46% +1,10
Alemanha 1,61% +6,87% –

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

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Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.