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Bolsonaro derruba a curva de juros: ainda dá para lucrar na renda fixa após a eleição?

Quem surfou a onda da corrida eleitoral teve a chance de obter ótimos lucros, mas os riscos agora são maiores mesmo que o cenário do mercado para a presidência se concretize

Jair Bolsonaro
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A curva de juros futuros vem amassando seus prêmios na medida em que o cenário de vitória de Jair Bolsonaro (PSL) na corrida presidencial vem ganhando força, conforme apontam as pesquisas eleitorais.

A consultoria de risco político Eurasia vê 85% de chances de o militar reformado ser eleito presidente do Brasil e o rali na Bolsa ainda deixa algumas possibilidades de ganhos mesmo após o pleito no domingo (28), mas será que é possível dizer o mesmo da renda fixa? 

Quem surfou a onda da corrida eleitoral teve a chance de obter ótimos lucros. Investidores que compraram títulos do Tesouro Direto a taxas mais altas, hoje conseguem vender o papel a preços superiores dos adquiridos.

Quem comprou 100 papéis do Tesouro Prefixado com vencimento em 2025 a uma taxa de 12,20% ao ano no dia 3 de setembro, por exemplo, e vendeu na quinta-feira (25), com a queda da taxa de 10,06% a.a., teve lucro de cerca de R$ 7 mil.

Quem não entrou nesse rali das eleições antes deve ter pouca probabilidade de ganhos elevados em tão curto espaço de tempo no período de "digestão" do resultado. Juliano Custódio, assessor financeiro e autor do blog EuQueroInvestir!, explica que o desenho de um eventual governo Bolsonaro ainda é uma incógnita e, passada a euforia do mercado, será preciso avaliar as chances das reformas serem provadas, em especial a da Previdência.

"Os primeiros 100 dias vão dizer muito sobre sua força política e sua capacidade de interlocução para fazer as reformas necessárias", conta. Assim, o investidor pode buscar ganhos na curva mais longa dos juros, mas a "aposta" é arriscada. Para Custódio, o risco-retorno é ruim e sua indicação para os investidores tem sido manter boa parte dos investimentos líquida à espera de um momento melhor para comprar papéis prefixados com maior rentabilidade. 

Para não ficar com o dinheiro parado na conta, uma alternativa é deixar parte do valor em um CDB de liquidez diária, segundo Custódio.

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Já o professor do InfoMoney, Alan Ghani, acredita que haverá um "chorinho" de lucros nos primeiros dias após a possível vitória de Bolsonaro. "Deve haver uma euforia em um primeiro momento, o que significa que as taxas no curto prazo podem cair um pouco mais", conta. Depois da empolgação inicial, o mercado pode passar por um período de correção pela queda exagerada dos últimos dias devido à condição econômica do país - que permanece a mesma de antes das eleições e não é das melhores.

As taxas não devem devolver toda a queda, mas os juros mais baixos dos contratos futuros ficarão condicionados à questão econômica, segundo Ghani, em linha com a avaliação de Custódio. "Se essas taxas em patamares mais baixos serão sustentáveis é uma situação que estará condicionada à aprovação de reformas", explica o professor do InfoMoney

"Para quem for mais agressivo pode ser uma estratégia comprar título no curtíssimo prazo, apostando nessa gordura para queimar nesse 'chorinho'. Para os contratos de médio e longo, não acho que seja um bom momento para entrar nesses papéis", avalia Ghani.

Tem dinheiro na conta e quer alocar da melhor forma possível e esperar por boas oportunidades com a maior definição de como seria um governo Bolsonaro? Ghani indica CDBs com vencimentos de, no máximo, 8 meses e que paguem mais de 100% do CDI.

Os dois especialistas, no entanto, afirmam que o momento é de cautela e de maior aversão ao risco. Assim, o ideal seria não ficar posicionado, nem mesmo na renda fixa. "Quem vai ditar o rumo daqui em diante não é só a política, é a economia, mas teremos uma clareza maior dos rumos em 2019. Pode ser que essas taxas voltem a subir pelo cenário econômico ou podem cair ainda mais. Não dá para prever", diz Ghani. 

Por que as taxas dos juros futuros caíram com a ascensão de Bolsonaro? 
Com um candidato visto como mais reformista avançando nas pesquisas eleitorais, o mercado leu esse movimento como positivo, pois interpretou que o ajuste fiscal está mais próximo - justamente por conta das intenções em adotar medidas liberais.

O apoio do guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, nessa reta final e a busca por nomes simpáticos ao mercado para compor sua eventual equipe econômica foram fundamentais para a queda na curva dos juros futuros. O que o mercado quer dizer com esse movimento é que "está menos arriscado emprestar dinheiro para o governo".

Nesse situação, todo mundo começa a comprar. Com o aumento da demanda, o preço do papel sobe e a taxa de rentabilidade cai ainda mais. "Quem entrou antes das eleições, tomando risco no longo prazo, teve um retorno espetacular", afirma a analista da Nord Research, Marília Fontes, que faz parte do time dos Analistas sem Censura, programa exibido pelo InfoMoney às terças-feiras. 

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Desta forma, quem entrou antes da onda da eleição teve a chance de obter ótimos lucros. Mas para quem quiser entrar agora, as chances de ganhos elevados em um espaço de tempo tão curto são bem mais reduzidas.

 

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