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Curva de juros confirma que Copom cortará Selic em 2016; confira

A taxa Selic não fica mais em 14,25% segundo mostram as posições dos investidores e apostas podem ir ainda mais longe na precificação de queda de juros amanhã

Alexandre Tombini Banco Central
(InfoMoney TV)

SÃO PAULO - Se o mercado já havia tirado suas apostas do cenário de aperto monetário em fevereiro, nesta terça-feira (1), o investidor já precifica virou a mão e precifica uma queda dos juros em 2016. Às 14h36 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2017 caía 12 pontos-base a 14,06%. Isso significa que as apostas de quem investe em juros futuros são de que comecemos 2017 com uma taxa Selic menor do que a que temos hoje, atualmente em 14,25%. 

Para se explicar como chegar a esta conclusão é preciso lembrar que o DI basicamente é a taxa que os bancos praticam para emprestar dinheiro uns para os outros no chamado overnight e segue de perto a taxa de juros básica. Isso significa que para o DI estar neste nível em janeiro do ano que vem, a Selic não pode estar no nível atual, ele deve estar pelo menos 0,25 ponto percentual mais baixa.

Mas o que causou essa mudança toda na visão do mercado para o que ocorrerá com a política monetária brasileira? Para João Pedro Brugger, economista da Leme Investimentos, a conta disso fica nas costas do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e da mudança na comunicação do Banco Central que tem ocorrido desde o fim do ano passado. 

No fim de 2015, todo o mercado acreditava que o BC elevaria os juros este ano para bater de frente com a inflação, que está mais resiliente do que se esperava. Contudo, a autoridade monetária deu um giro de 180º na sua visão após um relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional), que cortava as projeções de crescimento econômico para o Brasil. Os juros foram mantidos em janeiro e os rumores são de que a pressão do PT para uma redução das taxas está fazendo efeito. 

"Quando o Tombini mudou a previsão do Brasil por causa de um relatório do FMI, começou a se admitir agora ficar perto do teto da banda da inflação", diz Brugger. Para ele, o BC faz hoje uma aposta de que a própria recessão econômica terá um efeito desinflacionário, o que é arriscado porque qualquer mudança no dólar pode trazer uma pressão inflacionária.

Para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) amanhã, o economista da Leme Investimentos acha que devemos ter especial atenção para o que farão Tony Volpon e Sidnei Corrêa Marques, que na última reunião votaram para elevar a Selic. A ideia é que se até mesmo os membros mais "hawkish" (agressivos) do comitê mudaram de opinião quanto a um aperto monetário, então a chance do Copom cortar juros no fim do ano é maior. "Se o Volpon votar pela manutenção da taxa, podemos ver a curva fechar ainda mais", afirma Brugger. 

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