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Decisão do BC é o túmulo do regime de metas de inflação, diz Schwartsman

Ex-diretor do Banco Central acredita que decisão fará com que IPCA termine o ano em torno de 8% e que não volte para dentro da meta em 2017

Alexandre Schwartsman -
(Divulgação/Bovespa)

SÃO PAULO - O economista e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, disse nesta quarta-feira (21) que a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa Selic inalterada em 14,25% ao ano foi o túmulo do regime de metas de inflação. "Ela foi errada em várias dimensões. Errada da forma como foi feita depois de tudo indicar uma decisão diferente e errada por inventarem uma 'historinha' para tomar a decisão politicamente mais conveniente", afirmou.

A "historinha" a que o economista se referiu é o conteúdo da nota inédita enviada pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, na terça-feira (19) - primeiro dia de reunião do Copom - afirmando que o comitê levaria em consideração os cortes de projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) para a economia brasileira. A comunicação gerou bastante desconfiança no mercado porque ocorreu logo depois de uma reunião de Tombini com a presidente Dilma Rousseff, em um momento em que diversas notícias contavam que o governo era contra uma elevação dos juros. 

Segundo Schwartsman, o BC não deveria ter deixado os juros estáveis, mas por mais que houvessem argumentos técnicos que justificassem essa manutenção, eles não foram levados em conta pelo comitê. "Não é assim que funciona, e é por isso que você vê as expectativas de inflação subindo. O que foi feito ontem vai contra qualquer ideia de como funciona um regime monetário", avaliou, visivelmente decepcionado com o resultado.

Na sua avaliação, a perda de credibilidade da autoridade monetária será acompanhada por expectativas maiores de inflação, de modo que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve terminar 2016 perto dos dois dígitos novamente. "Eu pensava em algo entre 7% e 7,5% antes. Mas agora, para mim, ficará perto de 8%. Só não será maior porque teremos menos pressão da parte de preços administrados."

Além disso, ele acredita que a inflação não volta para dentro da meta em 2017. "Um BC que não reage permite que a inflação desancore de vez. A gente está cristalizando [o IPCA] na casa dos dois dígitos", explica. 

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