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Avanços alcançados no combate à inflação ainda não foram suficientes, diz ata do Copom

Documento divulgado pelo Banco Central mantém discurso de que, apesar do ajuste fiscal, a política monetária deve se manter vigilante para combater os efeitos do aumento dos preços

Alexandre Tombini Banco Central BC 1
(Reuters)

SÃO PAULO - A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) registrou que a inflação está mostrando persistência e que os avanços no enfrentamento a ela não têm se mostrado suficientes para combatê-la. Na semana passada, o comitê elevou a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,5 ponto percentual de 13,25% para 13,75%. 

"A propósito, o Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes. Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante", diz a ata.

O documento ainda projetou uma variação de 12,7% para o conjunto de preços administrados, ante os 11,8% considerados na reunião do Copom de abril. Para os membros do comitê, a inflação está atualmente em níveis elevados por causa do efeito do ajuste dos preços domésticos em relação aos internacionais e dos administrados em relação aos livres. 

O Copom avaliou que a demanda agregada da economia deve se apresentar moderada no futuro com a estabilização do consumo das famílias devido a fatores como emprego, renda e crédito. As exportações também devem ser beneficiadas pelo cenário de crescimento dos parceiros comerciais do Brasil e pela depreciação do câmbio.

"Para o Comitê, os efeitos conjugados desses elementos, os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos e, neste ano, a dinâmica de recomposição de preços administrados são fatores importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% estabelecida pelo CMN [Conselho Monetário Nacional], ao final de 2016".

Ontem foi divulgada a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em maio, que subiu 0,74%, ante expectativas de uma expansão de 0,59%. No acumulado de 12 meses o avanço do indicador foi de 8,47%, saindo dos 8,17% registrados em abril. Com este resultado, os contratos de DI no mercado de juros futuros avançaram, precificando que o governo terá de fazer um aperto monetário maior para conter o crescimento dos preços em 2015. 

Leia aqui a íntegra da ata do Copom. 

 

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