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Curva de juros já precifica alta de 100 pontos-base no próximo Copom; veja imagem

Depois de uma elevação nos juros báscos da economia da Rússia de 10,5% para 17%, os juros futuros disparam e mostrar risco de "guerra de juros" entre os emergentes

Putin chega para reunião de cúpula do G8
(Peter Muhly/Reuters)

SÃO PAULO - A taxa do contrato de juros futuros com vencimento para janeiro de 2016 disparou forte na sessão desta terça-feira (16), superando 13,5% na máxima, com alta de 80 pontos-base no início da manhã. Porém, durante a tarde, a taxa arrefeceu a alta, a 13,09%, com alta de 39 pontos-base. Os ativos repercutiam uma notícia que ocorreu há mais de 10 mil quilômetros das terras brasileiras, mas que atinge em cheio a nossa economia: o Banco Central da Rússia decidiu, em sua última reunião, elevar a taxa básica de juros da sua economia de uma tacada só de 10,5% para 17%. 

Para o país governado por Vladimir Putin, é uma atitude de desespero frente ao aumento do risco de se investir no país, que, além de tudo, é muito dependente da exploração de petróleo e gás. Os preços do barril do WTI (West Texas Intermediate) e do Brent vem caindo forte nas últimas semanas afetados tanto por uma demanda mais fraca global - principalmente com desaceleração da economia chinesa - como por uma oferta mantida em níveis altos pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). 

Do lado de cá, o aumento da rentabilidade dos títulos russos com os juros mais altos preocupa, porque pode fazer com que o risco-retorno deles se torne maior que o nosso. Com isso, haveria uma fuga de capitais do Brasil para as geladas terras do norte. 

Precificando uma reação do governo brasileiro à ameaça russa, os investidores passaram a negociar os juros futuros de DI a taxas acima dos 13% para 2016, prevendo um aumento da Selic de 1 ponto percentual no ano que vem. A Selic foi elevada na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do ano para 11,75%, uma alta de 0,5 ponto percentual e a expectativa já era de nova alta dos juros na reunião de janeiro. Contudo, especialistas de mercado não esperavam uma alta tão forte quanto de 1 ponto percentual. 

Veja abaixo o gráfico da curva dos juros com o salto depois da decisão na Rússia:

Curva de juros DI

Os juros DI são as taxa cobradas em operações interbancárias, além de remunerar diversos títulos de renda fixa como os famosos CDBs. O valor deles fica perto da taxa Selic e oscilam próximo a ela, ou seja, se o mercado acredita no DI a 13,34% em 2015, a taxa básica de juros da nossa economia estará um pouco acima disso, perto dos 14%. 

Apesar disso, o economista da Guide Investimentos, Ignácio Crespo, não acredita que uma "guerra de juros" vá ocorrer entre os países emergentes. "Os recursos que desde 2008 migraram para outros países, ao voltar para casa nos países desenvolvidos, devem começar um ciclo de alta de juros [nos emergentes], mas no caso da Rússia, é muito mais crítico porque eles precisam se financiar [durante a crise do petróleo]", disse. 

Independente disso, a verdade é que o ciclo de alta que começou no Brasil pode durar mais que o esperado, com juros subindo nos EUA no ano que vem e emergentes lutando para se manter viáveis como investimento. 

 

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