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Em maio e junho deste ano muitos investidores foram pegos de surpresa ao descobrir que haviam perdido dinheiro nos seus fundos de renda fixa. A surpresa vem do fato que as aplicações em renda fixa são vistas como um porto seguro, a opção certa para o investidor conservador. Mas como explicar as perdas? Em parte pode se atribuir o desespero do investidor à falta de informação, já que muitos bancos não se preocupam em detalhar os mecanismos de cada aplicação.
Alta dos juros pode levar a perdas nos títulos pré-fixados
O maior risco de perda nas aplicações em renda fixa reside nas aplicações em títulos pré-fixados, ou no caso dos fundos, nos fundos de renda fixa pré-fixados. Estes títulos estão mais expostos a um aumento nas taxas de juros, pois o rendimento é definido na hora no momento da aplicação.
Neste sentido, se ocorre um aumento nos juros você perde duas vezes. A primeira porque com o aumento dos juros as taxas que você recebe pela sua aplicação passam a ser inferiores àquelas prevalecentes no mercado. Em segundo lugar, porque com o aumento dos juros, os títulos que pagam taxas menores (isto é os pré-fixados) ficam instantaneamente menos atraentes para um investidor, o que leva a uma queda no preço dos mesmos.
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Saques podem deteriorar ainda mais a situação
Agora vamos imaginar que você aplicou em um fundo de investimento que investiu seu dinheiro em títulos pré-fixados. Quando os juros sobem, o preço destes títulos cai, levando a uma redução no patrimônio do fundo. Por sua vez, a queda no valor do patrimônio do fundo leva a uma desvalorização no preço da cota.
A situação fica ainda mais dramática se, devido ao rendimento negativo do fundo, alguns investidores optarem por vender suas posições. Neste caso, o administrador do fundo é obrigado a vender seus títulos no mercado para poder devolver o montante investido pelo cotista. Como a procura por títulos que pagam taxas menores que as praticadas pelo mercado é menor, o banco é obrigado a vender o título por um preço menor do que o praticado no mercado.
Neste sentido, a recomendação é evitar as aplicações em títulos pré-fixados quando houver possibilidade de aumento nos juros, pois você corre o risco de ver suas economias perderem valor.
Porque os fundos DI são mais seguros
Ao contrário dos fundos de renda fixa, os fundos DI aplicam seus recursos em títulos pós-fixados e, portanto, não estão tão expostos aos aumentos dos juros. Como discutimos anteriormente, o preço dos títulos pós-fixados não é afetado pelos aumentos nos juros.
Historicamente, a instabilidade econômica do país fez com que a tendência dos juros fosse de alta, favorecendo os títulos pós-fixados. Contudo, desde o início do Plano Real a tendência dos juros vinha sendo de queda, tendência interrompida em 2001 em função da deterioração na situação da Argentina e crise energética, que obrigou o Banco Central a promover sucessivos aumentos nas taxas de juros. Acostumados com a tendência de queda nos juros desde o Plano Real, muitos investidores optaram pelos títulos de renda fixa pré-fixados.
Esta tendência fez com que os fundos de renda fixa, que aplicam em títulos pré-fixados, acumulassem o maior patrimônio dentre todas as categorias de fundos de investimento. A forte alta dos juros que ocorreu em 2001 acabou levando, segundo dados da Anbid, a uma saída de recursos na ordem de R$ 12 bilhões dos fundos de renda fixa. Deste total cerca de R$ 7 bilhões foram re-direcionados aos fundos referenciados DI.
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Entenda o risco de cada subcategoria de fundos de renda fixa
Nenhuma categoria de fundos de renda fixa pode aplicar em apenas em ativos de renda fixa, incluindo derivativos sobre estes títulos, mas não pode aplicar em ativos diretamente ligados ao risco de câmbio ou ações. Atualmente a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimentos) divide os fundos de renda fixa em quatro subcategorias:
- Fundos renda fixa, que tem como maior risco a taxa pré-fixada
- Fundos renda fixa crédito, que além da taxa pré tem o risco de crédito
- Fundos renda fixa multi-índices, além dos riscos citados possui o risco dos indexadores de preços
- Fundos renda fixa alavancados, possuem os riscos dos multi-índices com a diferença de que podem ficar alavancados, isto é, podem perder mais do que possuem no patrimônio do fundo.
Como o swap e a alavancagem influenciam na rentabilidade do fundo?
Isso acontece porque os gestores destes fundos fazem swap, isto é, trocam taxas. Nessa operação, o banco faz a troca com o gestor do fundo de dois títulos. Por exemplo, o fundo fica com o título pré-fixado no ativo, e em contrapartida recebe um título pós-fixado no passivo. Os gestores fazem esta operação visando uma menor oscilação na rentabilidade do fundo, e ainda um ganho denominado spread (prêmio).
Por outro lado, como o título pós-fixado ficou no passivo do fundo, tornando-se uma dívida, um aumento da taxa pós acima da pré fará o fundo ter uma perda proporcional a esta diferença. Além disso, os fundos alavancados investem um montante superior ao patrimônio do fundo, com intuito de obter maiores ganhos, contudo em caso de perdas é provável que ocorram em maior grau que nas outras subcategorias.
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