Relatório do BC revela volta dos recursos para os fundos de renda fixa

Com melhora no humor do mercado, os recursos das cadernetas passaram a migrar para os fundos de renda fixa

Publicidade

SÃO PAULO – Refletindo uma melhora no humor dos investidores, os dados da Nota sobre Política Monetária do Banco Central anunciada nessa terça-feira referente ao primeiro mês de 2003 revelam que os fundos de renda fixa voltaram a receber recursos, em detrimento das cadernetas de poupança.

Relatório do BC mostra mudanças em janeiro de 2003

De acordo com o relatório, os depósitos à vista e o papel moeda em poder do público, denominado M1, atingiram R$ 92,665 milhões em janeiro frente aos R$ 74,672 milhões apurados em janeiro do ano passado. Enquanto isso, os depósitos à vista chegaram a R$ 59,338 milhões em janeiro desse ano, sinalizando desaceleração da tendência.

Em maio de 2002, os depósitos à vista iniciaram uma tendência de crescimento, em função da marcação de mercado nos fundos de renda fixa e do temor eleitoral, que acabaram trazendo apreensão aos investidores. Essa tendência pode ser observada pelos dados relativos ao crescimento anual nos últimos meses, que passou de 10,1% em maio para 31,7% em novembro do ano passado. Em janeiro desse ano, o aumento havia recuado para 23,7%.

Fundos de renda fixa e cadernetas de poupança

A partir de meados do ano passado, muitos investidores recorreram as aplicações em cadernetas de poupança em detrimento dos fundos de investimento. Contudo, de acordo com os dados do BC, essa tendência já começou a ser revertida, com a migração dos investidores das cadernetas, principalmente para os fundos de renda fixa.

Em maio de 2002, os depósitos em cadernetas de poupança somavam R$ 120,909 milhões, passando para R$ 129,974 milhões em junho do mesmo ano, refletindo a determinação do BC de marcar os fundos de investimento a mercado.

Contudo, essa determinação acabou não surtindo o efeito desejado, e os fundos de renda fixa sofreram uma forte onda de saques no período. Além disso, com o início da campanha eleitoral, o pessimismo se intensificou, e as cadernetas de poupança foram consideradas aplicações mais seguras, o que acaba justificando o forte ingresso de recursos no segundo semestre do ano passado.

Continua depois da publicidade

Fundos de renda fixa voltam a captar recursos

Com a melhora no cenário interno, após o período eleitoral e a manutenção da política econômica e a austeridade fiscal por parte do novo governo eleito, as cadernetas de poupança passaram a registrar saída de recursos, com muitos investidores optando por migrar as suas aplicações para os fundos de renda fixa.

Desse modo, em dezembro do ano passado, as cadernetas somavam recursos da ordem de R$ 141,010 milhões, montante que recuou para R$ 140,865 milhões em janeiro desse ano.

Em contrapartida, os fundos de renda fixa, que em maio do ano passado totalizavam R$ 302,409 milhões caíram para R$ 285,348 milhões em junho e R$ 276,765 milhões em novembro do ano passado. A partir de dezembro, essa trajetória descendente começou a ser revertida, atingindo R$ 293,535 milhões em janeiro desse ano.