Relações comerciais entre Brasil e Japão devem avançar em 2006

No acumulado até novembro, exportações brasileiras para o Japão bateram recorde dos últimos 20 anos

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SÃO PAULO – Não há dúvida de que a visita ao Brasil, em setembro de 2004, do primeiro ministro japonês, Junichiro Koizumi, seguida da visita ao Japão, em maio de 2005, do presidente Lula foram bastante positivas para as relações comerciais entre Brasil e Japão.

Em novembro, as exportações brasileiras ao Japão atingiram seu patamar mais elevado em 20 anos, ao alcançar, no acumulado de 11 meses, US$ 3,13 bilhões. O resultado supera em 1,1% aquele registrado em 1995, ano que até então registrava o melhor desempenho no acumulado até novembro, com exportações de US$ 3,10 bilhões.

Corrente comercial deve atingir US$ 7 bi

A corrente comercial entre os dois países, que mede a soma de exportações e importações, também se aproxima de um novo recorde. No acumulado dos onze primeiros meses de 2005, a corrente comercial já atingia US$ 6,28 bilhões, pouco abaixo do recorde atual, alcançado em 1997, quando a corrente atingiu US$ 6,60 bilhões no mesmo período.

O Ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, estima que a corrente comercial entre Brasil e Japão deva fechar o ano de 2005 em US$ 7 bilhões. Vale notar, contudo, que o saldo da balança comercial entre os dois países ainda é deficitário para o Brasil em US$ 13,65 milhões. Assim, enquanto 2,92% das exportações brasileiras foram destinadas ao Japão, os produtos japoneses representaram 4,7% das importações brasileiras no período.

Furlan está bastante otimista com as perspectivas para 2006, e chega até mesmo a apostar em um retorno à década de 70, quando grandes corporações japonesas se instalaram no Brasil. Na visão do presidente da agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), Juan Quirós, contudo, a repetição dos resultados alcançados em 2005 já seria bastante positiva.

China e Índia devem competir por capital

Em 2005, a Apex reforçou a divulgação de produtos brasileiros no Japão, sobretudo, na área de alimentação (bebidas, sucos de frutas, carnes e peixes), moda e orgânicos, de forma que esses são os setores que devem ser mais beneficiados por um estreitamento nas relações comerciais dos dois países.

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Para o economista japonês, Kotaro Horisaka, especialista em países latino-americanos, é improvável que as relações comerciais voltem ao nível da década de 70, uma vez que o mundo está muito mais globalizado. China, Índia e alguns paises asiáticos são fortes concorrentes do Brasil na atração de capital estrangeiro, de forma que cabe ao Brasil convencer os investidores que pode ser um dos focos de globalização, e não apenas um grande mercado.

Na sua visão, o Brasil precisa demonstrar suas vantagens competitivas, mais do que enfatizar quais os setores mais atrativos. É preciso deixar claro qual o papel do Brasil no mercado mundial.