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SÃO PAULO – Um dos efeitos positivos da queda da inflação depois do Plano Real, sem dúvida, foi a expansão do volume de concessões de crédito no país, especialmente no que refere aos créditos para pessoa física.
Apesar disto, o volume de créditos concedidos ainda é relativamente baixo em relação ao tamanho da nossa economia, como ilustra a relação Créditos/PIB (Produto Interno Bruto). Enquanto no Brasil esta relação se encontra ao redor de 24%, em outros países ela é bem mais alta, chegando a alcançar cerca de 50% do PIB, como é o caso, por exemplo, do Chile.
Nível mais baixo desde 1995
Contudo, ainda mais preocupante é a constatação de que em 2002 esta relação atingiu seu nível mais baixo desde 1995, quando o Banco Central começou a acompanhar este indicador.
Enquanto em 1995 a relação créditos/PIB estava em cerca de 35%, no final do ano passado ela caiu para 24%. No início do ano passado, quando a taxa básica da economia ainda estava em 19% ao ano, bem abaixo, portanto dos 25,5% ao ano em que se encontra no momento, esta relação era de 26,5%.
Depois de atingir 26,9% no mês de julho do ano passado, o volume de créditos em relação ao PIB caiu para 25,8% em agosto, e depois de uma tentativa de recuperação em setembro, quando ficou em 26,5%, acabou recuando para 24% nos dois últimos meses do ano.
Nem mesmo em 1999, ano em que o Real sofreu uma maxi-desvalorização e os juros estavam em patamares ainda mais altos do que os atuais, esta relação foi tão baixa. Naquele ano a relação crédito/PIB ficou em 27%.
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Inflação e juros altos
A análise da evolução da relação crédito/PIB durante o ano passado confirma que a instabilidade que atingiu a economia brasileira na segunda metade do ano passado levou os bancos a adotarem uma postura mais cautelosa no que refere a concessão de créditos.
O forte aumento dos juros cobrados nos créditos a pessoa física, que subiram de 4,67% ao mês em janeiro para 5,19% em dezembro do ano passado foi um dos fatores que contribuiu para a queda desta relação. Afinal, muitas pessoas adotaram uma postura mais cautelosa diante do forte aumento dos juros, e evitaram levantar novos empréstimos.
Por outro lado, com a perda de poder aquisitivo por parte das famílias, decorrente do aumento da inflação, que somente na segunda metade do ano atingiu 9,31% segundo o IPCA, a inadimplência entre os consumidores aumentou. Esta tendência levou os bancos a adotarem uma postura mais conservadora na concessão de créditos, o que dificultou o acesso a novos empréstimos.
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Compulsório reduziu liquidez
Mas não foi apenas o maior conservadorismo dos bancos que levou a uma queda no volume de concessões. Como lembra o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, o aumento dos compulsórios sobre depósitos bancários levou a uma queda na liquidez do mercado, que também contribuiu para o menor volume de concessões.
Dados do BC apontam para um volume de depósitos compulsórios no final do ano passado de cerca R$ 123 bilhões, cerca de R$ 60 bilhões a mais do que o registrado no final de 2001. Com menos dinheiro em mãos para emprestar, os bancos ficaram ainda mais rigorosos na hora de conceder empréstimos, além de aumentarem os juros cobrados ao consumidor, fechando um ciclo vicioso que contribuiu para a forte queda na relação Créditos/PIB.