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SÃO PAULO – O novo chanceler britânico, George Osborne, anunciou nesta quarta-feira (16) o reestabelecimento dos poderes de supervisão do Bank of England na maior reforma regulatória do Reino Unido dos últimos 13 anos.
De acordo com as mudanças anunciadas, o banco central passará a centralizar os poderes de supervisão do sistema financeiro, levando ao desmantelamento do órgão atualmente responsável pela supervisão, a FSA (Financial Services Authority), que deverá se tornar uma agência de proteção ao consumidor.
Criada em 1997 pelo então chanceler Gordon Brown, membro do partido dos trabalhadores, a FSA foi duramente criticada por sua omissão nos casos de bancos britânicos superalavancados, como o Northern Rock. “O Reino Unido foi o único país que viu filas de clientes nas ruas para retirar seu dinheiro”, afirmou o Osborne.
Curiosamente, o órgão foi criado logo após o colapso do Barings, um dos grandes bancos de investimentos do país, em 1995, episódio que levou a opinião pública a acreditar que o Bank of England não era capaz de sozinho supervisionar o sistema financeiro. George Osborne afirmou que os poderes de supervisão nunca deveriam ter sido retirados do Bank of England e que este erro custou “uma vasta soma de dinheiro” dos contribuintes na forma de ajuda para bancos durante a crise financeira.
Novas ferramentas
Junto com as novas incumbências, o banco central também recebe novos poderes, que devem lhe permitir evitar a criação de novas bolhas no sistema financeiro. Entre as novas ferramentas “anti-bolha” do Bank of England estão a possibilidade de forçar os bancos a reterem uma maior quantidade de capital durante períodos de “boom”. Além disso, será criado um comitê independente para avaliar a necessidade de separação dos grandes bancos em unidades de varejo e investimento.
“Recebo com prazer estas novas responsabilidades”, disse o presidente do Bank of England, Mervyn King, que passará a ocupar uma posição similar a que Ben Bernanke ocupa à frente do Fed. “Em tempos de paz, a regulação pode ser feita fora do banco central. Porém, em épocas de crise, decisões precisam ser tomadas rápida e decisivamente, e o banco central, trabalhando com o governo, que sempre é o responsável por qualquer uso público do dinheiro, precisa estar no comando”, completou.
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“O que estamos propondo é um novo sistema de regulação, que tenha aprendido a lição da maior crise bancária de nossa época”, concluiu Osborne ao anunciar a reforma.