Reino Unido coloca stablecoins no centro da agenda regulatória de 2026

Em carta ao premiê, chefe da agência FCA diz que supervisão será adaptada ao perfil das empresas e aceitará falhas no processo para estimular inovação

Paulo Barros

(Foto:  Reinaldo Sture/Unsplash)
(Foto: Reinaldo Sture/Unsplash)

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A Autoridade de Conduta Financeira (FCA, na sigla em inglês), principal reguladora financeira do Reino Unido, informou nesta semana que viabilizar pagamentos com stablecoins será uma prioridade em 2026. Stablecoins são criptomoedas que mantêm um valor estável em relação a uma moeda fiduciária, como o dólar ou, neste caso, a libra esterlina. A diretriz consta em carta enviada pelo presidente-executivo da autoridade, Nikhil Rathi, ao primeiro-ministro Keir Starmer.

No documento, que teve o teor divulgado na última quarta-feira (10), Rathi afirma que o regulador pretende concluir o marco regulatório de ativos digitais e avançar no desenvolvimento de stablecoins lastreadas em libra esterlina emitidas no país. Segundo ele, as mudanças buscam reforçar a competitividade do setor financeiro britânico. “Nossas reformas ajudam o Reino Unido a manter sua vantagem competitiva global em nossos mercados atacadistas líderes mundiais, atrair investimento internacional e liderar a inovação em serviços financeiros”, escreveu.

A FCA informou que trabalha em conjunto com o Banco da Inglaterra para elaborar um conjunto abrangente de regras que deve incluir stablecoins, plataformas de negociação, empréstimos, staking e custódia, com implementação prevista para 2026.

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Na carta, Rathi defendeu uma abordagem regulatória menos prescritiva diante do avanço tecnológico. “A rápida mudança tecnológica significa que devemos focar em resultados, não em regras prescritivas”, afirmou. Ele acrescentou que a supervisão será ajustada ao porte e ao tipo das empresas, “aceitando que algumas coisas darão errado e priorizando os danos mais graves”.

Como parte dessa estratégia, a FCA abriu um sandbox regulatório para que emissores locais testem soluções de stablecoins em ambiente controlado. O prazo para inscrição das empresas interessadas termina em 18 de janeiro.

O regulador também destacou que a maior parte de cerca de 50 compromissos de crescimento anunciados no início do ano foi cumprida. Segundo a FCA, a próxima fase inclui iniciativas voltadas à supervisão mais eficiente, à digitalização dos serviços financeiros, ao aumento do crédito para pequenas e médias empresas e ao fortalecimento do comércio e da competitividade internacional.

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O Reino Unido vem adotando uma abordagem gradual para a regulação de criptoativos. Em 2025, o país aprovou uma lei que reconhece ativos digitais como forma de propriedade. De acordo com a FCA, Londres manteve a segunda colocação no Global Financial Centres Index, reduzindo a distância em relação a Nova York.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)