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SÃO PAULO – Com o resultado do quarto trimestre considerado positivo por analistas, apesar de divergências pontuais, as perspectivas para a Net (NETC4) estão atreladas sobretudo à aprovação da PL 29, que definirá como o setor vai se configurar nos próximos anos.
Telecomunicações
Usando os resultados que mostraram aumento de assinantes – tanto para TV, banda larga e voz, a última com alta expressiva de 40% – a analista da Link, Maria Tereza Azevedo, acredita que o mercado brasileiro não se encontra saturado. “Mais do que isso, ainda há espaço para serviços convergentes de telecom”.
Pouco afetado pela crise em 2009, o setor sofre consolidações nos últimos anos, de modo que os grandes grupos brasileiros já estão praticamente definidos. Para 2010, novidades como o 3G, a questão da portabilidade e inovações em telefonia fixa devem se desenrolar.
Entretanto, o driver principal fica por conta da regulamentação. Por tratar-se de um ano eleitoral, não deve haver alterações significativas. Para a analista do Banco Fator, Jacqueline Lison, o PL 29 e o Plano Nacional de Banda Larga “ditarão o rumo e velocidade da convergência tecnológica e de serviços”.
Já as mudanças no marco regulatório estão previstas apenas para 2011. Por referir-se especirficamente à TV paga, o PL-29 é o que mais afetaria as ações da Net.
PL-29
Ainda em fase final de votação, o projeto de lei 29/07 já foi aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, e o principal ponto é que permite ao consumidor adquirir canais avulsos na TV por assinatura, sem ter que comprar pacotes fechados das operadoras. A proposta também garante a gratuidade do ponto-extra, com a possibilidade de cobrar apenas pelo custo de instalação.
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O projeto determina ainda cotas para programação nacional e independente que os canais e programadoras deverão incluir nas grades horárias e seleções. Pela determinação, haveria três horas e meia por dia de programação brasileira em todos os canais.
A proposta também prevê uma mudança para os operadores de canais comunitários, que poderão divulgar as entidades de quem receberam apoio cultural, sejam públicas ou privadas, na forma de patrocínio. Esses operadores também poderão veicular publicidade institucional, desde que não seja para anunciar produtos ou serviços. Essa era uma das reivindicações do setor, pois, atualmente, as entidades não podem fazer publicidade e acabam sem dinheiro para se sustentar.
Para Mariana, a expectativa é que, com a aprovação, Carlos Slim deve assumir o controle da companhia – o que não deve, em sua avaliação, impactar o minoritário, mas deve levar a benefícios “em termos de sinergias, ganhos de escala e estratégia”.
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Por outro lado, a analista da Brascan Beatriz Battelli lembra que poderá haver entrada de novas operadoras de telefonia no mercado de TV por assinatura, podendo impactar negativamente nas margens da empresa. Ainda sobre esse ponto, a analista afirma que a entrada da GVT no mercado de São Paulo acirrará a competição no estado.
Analistas divergem quanto a último resultado
Em 2009, a empresa mostrou crescimento forte, na avaliação da analista da Link, que citou a receita líquida 25% maior do que a vista no ano anterior. Mais do que o aumento, Mariana conclui que “os números comprovam que, de fato, a companhia passou ilesa pela crise, reportando alguma perda financeira apenas em 2008, em função do dólar”.
Para 2010, há expectativa de que o contrato de direito de uso irrevogável da rede da Embratel, que já ajudou nos resultados do último trimestre – ‘parte do custo de acesso à rede passa a ser amortizado de um ativo de longo prazo’, explica a analista – continue contribuindo para a abertura da margem, que pode chegar a 29%, frente 27% registrado em 2009.
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A margem também foi destacada como ponto positivo pela analista da Brascan, que alertou, no entanto, que desconsiderando o impacto do contrato ela teria vindo em linha com as expectativas – o que ocorreu no caso dos números operacionais. A rentabilidade da companhia é considerada consistente.
Entre os pontos negativos, Battelli aponta a elevação no PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) e sobretudo a desaceleração no crescimento da base de assinantes da companhia, em patamares inferiores tanto na comparação com o trimestre anterior como ao mesmo período de 2008.
Um alto risco lembrado por Mariana é o expressivo endividamento em dólar, o que aumenta a exposição da companhia a flutuações no câmbio. Em 2009, com esse aspecto contido, o resultado negativofoi de apenas R$ 1,2 milhão no quarto trimestre, número muito menor do que o visto no ano anterior.
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Por fim, os pontos positivos prevalecem, e as duas analistas possuem recomendação outperform para as ações.