Referendo do “Brexit”, fala do Fed e mais 5 eventos agitam a semana que vem

Mercado ficará de olho em referendo no Reino Unido e tramitação de medidas no Congresso
Bandeira do Reino Unido (Foto: REUTERS/Phil Noble)
Bandeira do Reino Unido (Foto: REUTERS/Phil Noble)

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou praticamente estável nesta semana, que foi marcada principalmente pelas tensões no mercado com o risco de uma saída do Reino Unido da União Europeia. Nos próximos dias, os investidores devem continuar nervosos com o “Brexit”, principalmente, mas também com o Federal Reserve, uma vez que tem discurso da presidente da autoridade monetária, Janet Yellen, marcado para a terça-feira (21) às 11h (horário de Brasília).  

Sobre o “Brexit”, a votação deve ocorrer na quinta-feira (23), mas isso não está mais tão certo por conta do assassinato da deputada do partido Trabalhista que militava a favor da permanência do Reino Unido na UE, Jo Cox. O atentado contra ela foi cometido por um homem de 52 anos que teria gritado “Britain first” antes de assassiná-la. De acordo com o economista da Infinity Asset, Jason Vieira, a tragédia deu espaço para a manutenção da terra da Rainha no bloco europeu. “Acirrou os ânimos mais para o sentido da manutenção. Fica mais claro que a motivação em si do referendo já é complicada. A base dele foi totalmente xenofóbica”, afirma. De acordo com ele, a permanência deve vencer, de modo que o mercado terá volatilidade no começo da semana, mas ela dura só até a quinta-feira. Depois disso, virá o alívio. 

Também é importante olhar para a fala da presidente do banco central dos Estados Unidos, Janet Yellen. De acordo com o economista da Infinity, ela tentará deixar claro que o importante agora é acompanhar a inflação e que o dado de mercado de trabalho extremamente fraco em maio estava contaminado por fatores conjunturais como a greve dos funcionários da Verizon. Ele acredita que o Fed não vai elevar os juros mais do que uma vez este ano e que isso ficará um pouco mais claro na fala da chairwoman. “De certa forma é positivo porque eles estavam tentando fazer as pessoas acreditarem em duas altas, mas o Fed acabou respondendo à curva de juros. Eles não quiseram comprar briga com o que o mercado precificou depois do payroll”, explica.

Ainda durante a próxima semana é preciso olhar para o Congresso, que terá como destaque o início do trâmite do projeto do teto dos gastos do governo, e para a renegociação das dívidas dos estados e municípios, já que o prazo para haver um entendimento termina no dia 27 (segunda-feira da semana seguinte). A segunda pauta pode ganhar força após o Rio de Janeiro decretar estado de calamidade pública por conta da crise financeira. No entanto, Vieira acredita que a medida não passará por conta do efeito nefasto que teria nas contas públicas, calculado em R$ 400 bilhões. 

Durante a semana ainda vale ficar de olho no IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ao saldo da Conta Corrente do Brasil e dados semanais de inflação. Também deve ficar no radar o vencimento de opções sobre ações, que deve gerar volatilidade para as principais blue chips na segunda-feira. 

A seguir, os destaques da agenda econômica semanal:

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IPCA-15 (Brasil)
Aqui no Brasil, o principal dado da semana é o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) colhido entre os dias 15 de maio e 15 de junho, e que sai na terça-feira (21). O dado pode ser importante para balizar as próximas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária). Segundo as projeções da LCA Consultores, o índice deve ter um crescimento de 0,5% na comparação mensal, após ter avançado 0,86% no período anterior. Em 12 meses, o acumulado da inflação deve chegar a 9,1%. O IPCA será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) às 9h (horário de Brasília). 

Trasações correntes (Brasil)
Fechando a semana, na sexta-feira (24), saem as Transações Correntes do Brasil em maio. O dado leva em consideração a Balança Comercial, o saldo de investimentos e também as remessas de dólares para dentro e para fora do País. O saldo em abril foi positivo em US$ 412 bilhões.  

Vencimento de opções sobre ações
Na segunda-feira (17), vencem as opções sobre ações. O movimento das blue chips que mais possuem esse tipo de derivativo negociado devem, portanto, ter uma volatilidade acima do comum. 

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