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A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) passaram, recentemente, por importantes marcos regulatórios. Enquanto a Sabesp (SBSP3) incorpora o reajuste tarifário, a Copasa (CSMG3) tem avançado com o processo de privatização.
A nova fase que cada companhia tem passado, dando sinais cada vez mais claros dos seus processos e potenciais, tem sido bem recebida pelo mercado. Em nova avaliação do setor de saneamento básico, o Itaú BBA manteve a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para ambas as companhias e atualizou os preços-alvo para cada uma.
O preço-alvo da Sabesp foi elevado de R$ 147,10 por ação para R$ 154,50. Já a Copasa, subiu de R$ 43,20 para R$ 55,90 por ação.
Viva do lucro de grandes empresas
Ainda que estejam partindo de um ponto semelhante, cada empresa tem seguido por uma direção distinta, oferecendo retornos em momentos diferentes. Para os analistas, desde a demonstração de resultados pós-privatização e o reajuste tarifário, a Sabesp tem oferecido mais potencial para o longo prazo.
Em paralelo, o preço-alvo da Copasa teve um aumento significativo, refletindo todo o potencial de valorização a partir da privatização – que ainda pode sair este ano – e os bons resultados nos últimos meses, chegando a ter um aumento de 68% das ações. De acordo com o banco, a companhia mineira tem sido mais atraente a curto prazo.
De maneira ampla, os analistas afirmam que ambas as empresas devem se beneficiar a longo prazo de um cenário macroeconômico favorável, dada a natureza de longa duração de seus fluxos.
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Ajuste tarifário
O primeiro reajuste tarifário aplicado pela Sabesp sob o novo arcabouço regulatório foi um grande marco para a ação da companhia no ano passado. A incorporação, já muito aguardada pelo mercado, foi um dos principais movimentos da empresa na redução de risco da tese de investimento.
De acordo com o BBA, a movimentação foi essencial para esclarecer sobre o processo e a abordagem da agência reguladora, a Arsesp, que serão utilizados como base para os próximos reajustes, reduzindo os riscos e receios do mercado em relação à essa nova fase da Sabesp.
Em especial, em relação ao detalhamento sobre o uso de ajustes compensatórios para conciliar o arcabouço de natureza prospectiva (ouforward-looking, quando a tarifa é calculada com estimativas futuras) com o novo regime retrospectivo (ou backward-looking, quando o cálculo considera o histórico, passado)., garantindo ganhos e reduzindo perdas.
A reação do mercado corroborou a interpretação positiva dos analistas. Logo após a divulgação da nota técnica que detalhava esse processo, as ações da Sabesp apresentaram forte desempenho, com altas de 3%, acima do Ibovespa (de +1,6%).
O dado consolidado pela Arsesp, aponta um aumento tarifário de 6,8% a partir do dia 1º de janeiro deste ano. A Sabesp, entretanto, divulgou que o impacto tarifário efetivo deve atingir, aproximadamente, 10,6% em comparação com a tarifa reportada no ciclo anterior.
Crise hídrica
Apesar dos resultados positivos e as expectativas de longo prazo se mostrarem sólidas, o BBA destacou a atual crise hídrica como um ponto de observação. No momento em que o relatório foi elaborado, o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, estava a 20,2% da sua capacidade.
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Mesmo com essa preocupação, os analistas acreditam que a situação não represente um risco para a tese. Em primeiro lugar, o banco destaca que as condições dos reservatórios, ainda que graves, não estejam próximas dos níveis do período de escassez hídrica registrado em 2014/15. Em outro ponto, reconhecem que a companhia tem um sistema mais resiliente hoje, com a adoção de medidas preventivas que têm reduzido os impactos.
Privatização no radar
Para os analistas, a privatização da Copasa pode ser o principal catalisador de curto prazo para a tese de investimento da companhia. Em 2025, houve um avanço significativo do processo, que agora está em fase final de execução. A expectativa do BBA, é de que o processo seja concluído ainda em abril deste ano.
Desde dezembro, quando a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou o projeto de lei da privatização com mais detalhes sobre a viabilidade da mudança, o mercado tem respondido bem à nova fase da companhia. O detalhamento sobre o processo, segundo o BBA, foi essencial para reduzir incertezas e acalmar os investidores.
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Mesmo com as expectativas altas, os analistas afirmam que o potencial com a privatização ainda não está totalmente precificado. Para o banco, que já incorporava uma possível valorização de 60%, a revisão pode ser ainda maior. Com a expansão do contrato para outros municípios, também deve aumentar as oportunidades para a companhia.
Em paralelo aos novos projetos, a Copasa está entrando em um novo ciclo tarifário (de 2026 para 2029), após um processo de revisão regulatória encerrado no último ano. De acordo com o banco, o reajuste tarifário formaliza a transição de um arcabouço regulatório que historicamente oferecia incentivos limitados à realização de investimentos e a ganhos de eficiência para um modelo mais semelhante ao atualmente aplicado à Sabesp.
A partir de agora, a companhia pode absorver os benefícios fiscais dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), ao mesmo tempo em que eleva a remuneração do capital, uma mudança já esperada pelo mercado.
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