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SÃO PAULO – O fato da taxa de juro básica da economia, a Selic, ainda permanecer num patamar bastante elevado como o atual beneficia, principalmente, os fundos DI e os fundos de Renda Fixa, que por serem compostos na sua maioria por títulos públicos atrelados à Selic acabam registrando uma rentabilidade bastante atrativa.
De acordo com os dados da Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid) do último dia 16 de julho, atualmente, a indústria de fundos possui um patrimônio líquido de R$ 416,845 bilhões, dos quais, cerca de R$ 104,601 bilhões são relativos aos fundos DI (25,1%) e R$ 149,178 bilhões referem-se aos fundos Renda Fixa (35,8%).
Além de serem respectivamente as duas maiores categorias de fundos de investimento do país, o desempenho médio destes fundos também tem sido bastante atrativo. Os mesmos números da Anbid revelam valorização de 2,00% dos fundos DI nos trinta dias encerrados em 16 de julho, e alta de 1,90% dos fundos Renda Fixa em igual período.
Forte migração para renda fixa
Diante da perspectiva de redução da Selic, confirmada nesta quarta-feira (23/7) com o corte da Selic para 24,5% ao ano, foi possível perceber uma forte migração de recursos dos fundos DI para os fundos de renda fixa.
Esta tendência se justifica pelo fato dos fundos de renda fixa terem parte da sua carteira de investimentos em títulos pré-fixados, cuja rentabilidade é determinada no momento da compra do titulo. Exatamente por isto, estes fundos tendem a registrar desempenho melhor do que os fundos DI, cuja carteira é alocada em títulos pós-fixados.
Como as projeções dos analistas apontam para novos cortes da taxa Selic até o final do ano, o último relatório do Banco Central projeta a Selic em cerca de 20% no final do ano de 2003, o desempenho relativo dos fundos de renda fixa deve continuar sendo melhor do que o dos fundos DI.
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Na tentativa de obter retornos mais atrativos, muitos investidores estão voltando aos fundos de Renda Fixa, o que explica o fato da subcategoria ter registrado captação positiva de R$ 4,3 bilhões nos trinta dias encerrados em 16 de julho.
Novas ofertas podem prejudicar retorno
A expectativa é de que essa tendência permaneça nas próximas semanas, especialmente, se a tendência de redução dos juros for confirmada, como sugerem o sucesso dos leilões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) do Banco Central, que ao contrário das LFTs, são títulos pré-fixados.
À medida que o volume de captações começar a subir de forma bastante significativa, o governo pode realizar novos leilões de títulos pré-fixados, de modo a colocar mais títulos no mercado, o que levaria a uma queda nos preços dos mesmos, penalizando as cotas dos fundos de renda fixa, e devolvendo parte dos ganhos dos fundos de renda fixa.