IPCA

Redução da meta manda mensagem clara: o governo está levando a sério o combate à inflação

O mercado não tem mais dúvidas, o BC realmente vai tentar de todas as maneiras possíveis levar a inflação para dentro da meta, o custo disso, no entanto, deve sair bem caro para o país

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SÃO PAULO – A última quinta-feira (26) foi um dia de muitas surpresas no mercado, mas a que mais trará consequências no futuro foi a redução do teto da meta do Banco Central para a inflação, que vai de 6,5% para 6% ao ano. Para a maioria dos analistas, economistas e consultores, a decisão do Conselho Monetário Nacional não deixa dúvidas: a equipe econômica está levando a sério o problema de enfrentar a inflação. 

Foi a primeira diminuição na meta desde 2006, tornando-a a menor em governos do PT. Por isso, de acordo com a Capital Economics, a redução da meta mostra que mesmo quando a inflação começar baixar no próximo ano, o Banco Central não terá pressa para aliviar o aperto monetário. Desta forma, a taxa de juros permanecerá “bem acima” da média dos últimos 5 anos. E quando é que eles vão baixar? De acordo com o relatório da Capital, assinado pelo economista-chefe de mercados emergentes, Neil Shearing, a Selic deve cair para em torno de 11% ou 12% até o final de 2017. 

O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, avaliou de maneira bastante positiva a decisão. Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, ele disse que a alteração trazida pela CMN já era um desejo antigo do mercado financeiro e que é uma indicação de que o objetivo do governo federal é a busca de uma inflação cada vez menos expressiva no País.

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“Eu vejo com bons olhos. É claro que alguém pode contra-argumentar que poderia ter sido mais. Mas, tendo em vista que ela ficou parada por muito tempo, é um bom sinal”, salientou. “Tomara que seja um primeiro passo para a redução inclusive do centro da meta mais adiante. É um sinal de que há busca por uma inflação mais controlada e com menos inércia”, acrescentou.

Segundo ele, com o aperto monetário que está sendo promovido pelo Banco Central atualmente, o objetivo vai ser alcançado. “Olhando para o nosso cenário, vai ser cumprido. E todos estão esperando uma desaceleração do IPCA”, afirmou o economista, informando que a LCA trabalha com previsões de inflação de 5,20% para 2016 e de 4,60% para 2017. “Do jeito que está sendo traçado o nosso cenário e de boa parte do mercado, não é necessário um aperto adicional (nos juros)”, avaliou.

Na mesma linha otimista vai o relatório do Credit Suisse analisando a decisão. Para a equipe de analistas que assinaram o research, entre eles Nilson Teixeira, a decisão é positiva e provavelmente contribuirá para uma redução do risco de inflação. “Banda de tolerância do Brasil é uma das maiores entre todos os países que adotam metas de inflação; um intervalo menor, portanto, tende a trazer um aparato institucional do País mais em linha com as práticas da maioria das nações”, afirma. 

Mas nem tudo são flores
O ex-diretor de Política Monetária do BC Luís Eduardo Assis, contudo, tem uma avaliação mais dura que a de seus pares quanto ao que o CMN decidiu ontem. De acordo com o economista, esta política de elevação de juros para combater a inflação a qualquer custo vai sair muito caro para o País. “Vai nos custar outra recessão econômica e uma crise política”, previu o ex-diretor do BC.

Na avaliação de Assis, esta política de juros altos, reforçada pela decisão do CMN de reduzir a banda da meta, é incompatível com as correlações de forças políticas que apoiam o atual governo. “Vamos ter em 2015 o pior ano dos últimos 25 anos e isso não é bom para qualquer que seja o projeto político”, alertou o economista. Assis não enxerga para o ano que vem outra consequência a não ser uma nova crise econômica se o BC insistir em jogar a inflação, que neste ano será de 9%, para 4,5% em 2016. 

(Com Agência Estado e Reuters)

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