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Resultados mais uma vez expressivos, mas por que as ações fecharam em queda? As ações da Rede D’Or (RDOR3) registraram baixa de 6,47%, a R$ 37,74, maior queda do Ibovespa, em meio a uma correção após a alta da véspera somada a alguns linhas do balanço decepcionante. A visão geral do mercado é ainda construtiva para RDOR3, mas com falta de catalisadores no curto prazo.
A maior rede de hospitais listada em bolsa do país registrou lucro líquido de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2026, desempenho 5,5% inferior ao resultado obtido no mesmo período de 2025.
Para o Bradesco BBI, o balanço foi resiliente, mas veio levemente abaixo das estimativas do banco, principalmente em função de uma alíquota efetiva de imposto mais elevada (30%, versus 18% no BBI e 20% no 1T25) e de um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) hospitalar um pouco mais fraco. Excluindo o ajuste não recorrente de equivalência patrimonial de R$ 272 milhões da Atlântica D’Or, o lucro líquido ficou 13% abaixo do BBI.
A receita líquida consolidada cresceu 10% em base anual, em linha com o esperado, desacelerando frente aos 12% do 4T25. No segmento hospitalar, a receita avançou 15,1% em base anual (2% abaixo do BBI), sustentada principalmente por crescimento do ticket médio (+10%) e aumento mais moderado de pacientes-dia (+4,1%), enquanto a taxa de ocupação subiu para 77,5%.
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A abertura de leitos ficou aquém do esperado, com 135 novos leitos operacionais no trimestre (210 no BBI), levando o total dos últimos doze meses a 335. Na SulAmérica, a receita cresceu 8% em base anual, em linha com o BBI, com crescimento mais fraco em planos de saúde (+6,3% em base anual). A sinistralidade recuou 1,4 ponto percentual (p.p.) em base anual para 77,9%, possivelmente beneficiado por provisões técnicas (IBNR), e o EBITDA ficou 7% acima do BBI, apoiado por outros resultados operacionais positivos, possivelmente não recorrentes.
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Mesmo com o resultado ficando um pouco abaixo, o BBI mantém visão construtiva para a Rede D’Or no médio e longo prazos, sustentada por fundamentos de crescimento, qualidade operacional e fortalecimento gradual de margens, especialmente com a melhora da sinistralidade na SulAmérica e a expansão consistente do segmento hospitalar.
No curto prazo, contudo, adota um viés mais neutro, dado o resultado ligeiramente abaixo do esperado no 1T26, o ritmo menor de abertura de leitos e um valuation mais exigente. “Reiteramos a recomendação de Compra, mas ponderamos que, aos múltiplos atuais —cerca de 17x e 14,4x o P/L para 2026 e 2027 —, o potencial de valorização no curto prazo parece mais limitado, exigindo continuidade da execução operacional e normalização da carga tributária para destravar novos gatilhos positivos”, avalia, tendo preço-alvo de R$ 44 (potencial de alta de 9% frente o último fechamento).
O BBA aponta que os resultados da Rede D’Or estiveram em grande parte em linha com as suas expectativas, demonstrando um sólido desempenho no segmento hospitalar, enquanto a SulAmérica surpreendeu mais uma vez com a sua rentabilidade.
Por outro lado, “o Ebitda hospitalar cresceu robustos 18% em relação ao ano anterior, mas ficou ligeiramente abaixo da nossa estimativa. Em contrapartida, o segmento de seguros apresentou um EBITDA 9% acima da nossa previsão, impulsionado por uma MLR (índice de sinistralidade) melhor do que o esperado, apesar da captação de R$ 589 milhões em provisões técnicas”.
Para o banco, os resultados reforçam a perspectiva positiva para o ano e sustentam a nossa tese construtiva para as ações, apesar da ausência de grandes surpresas ou catalisadores de curto prazo. O banco esperava uma reação neutra na sessão pós-balanço, principalmente após a alta de 4,18% da véspera.