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SÃO PAULO – O fluxo de recursos estrangeiros no país voltou a cair nesse mês de junho, conforme dados contidos no relatório sobre setor externo do Banco Central, divulgado nesta quinta-feira. A ausência de sinais de reaquecimento da economia mundial continua trazendo pessimismo aos investidores, que se tornam mais avessos às economias de países emergentes, como é o caso do Brasil.
Dessa forma, o investimento estrangeiro direto líquido (IED) atingiu US$ 186 milhões em junho frente ao US$ 1,530 bilhão apurado no mesmo período do ano anterior, o que representa forte queda de 87,84%. No acumulado dos primeiros seis meses deste ano, o IED líquido totaliza US$ 3,50 bilhões, montante inferior aos US$ 9,617 bilhões contabilizados em igual período de 2002.
Menor entrada de recursos estrangeiros no país
A forte queda verificada no período foi decorrente da menor entrada de recursos estrangeiros no país, de acordo com os dados apresentados pelo Banco Central. Dessa forma, enquanto em junho do ano passado houve um ingresso de US$ 3,175 bilhões em recursos estrangeiros, no mesmo mês deste ano, as entradas atingiram apenas US$ 1,398 bilhão.
Nesse sentido, os investimentos em participação de capital apuraram queda de 93% para US$ 167 milhões em junho frente ao US$ 2,367 bilhão auferido em igual período do ano anterior. Em contrapartida, os empréstimos intercompanhias reverteram o resultado negativo auferido em igual período do ano passado da ordem de US$ 837 milhões para um fluxo positivo de US$ 18 milhões em junho desse ano.
Em relação aos empréstimos intercompanhias, os desembolsos, que correspondem à entrada de recursos estrangeiros no país, apresentaram queda em junho desse ano, saindo de US$ 546 milhões em junho de 2002 para US$ 424 milhões em junho de 2003. Por sua vez, as amortizações registraram forte queda no período ao passarem de US$ 1,383 bilhão em junho de 2002 para US$ 406 milhões em junho de 2003.
Aversão ao risco
Finalmente, o relatório do Banco Central mostra que a maior aversão por parte dos investidores frente às economias emergentes continua, o que acaba refletindo na queda dos investimentos estrangeiros no país.
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Apesar do otimismo em relação à aprovação das reformas estruturais pelo governo Lula, mesmo que não nos moldes originais, o mercado internacional permanece avesso às economias emergentes.