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SÃO PAULO – De acordo com estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os investimentos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) para o setor energético do Brasil podem ser insuficientes.
Conforme os estudos, se o consumo de energia seguir a evolução observada nas duas últimas décadas, o Governo Federal precisará garantir muito mais que os 12.386 megawatts previstos no PAC para sustentar o crescimento de 5% ao ano no Produto Interno Bruto (PIB) até 2010.
Segundo o Ipea, o consumo de energia no Brasil cresceu cerca de 30% a mais que a economia, entre 1980 e 2003. Enquanto que o PIB aumentou, em média, 1,9% ao ano nesse período, a demanda energética cresceu 2,5% ao ano.
Não haverá desabastecimento
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, descarta qualquer risco de desabastecimento. Ele diz que a produção e o consumo nem sempre precisam crescer na mesma proporção. “Como há uma sobreoferta de energia, os investimentos não precisam corresponder ao aumento na demanda”, explica ele.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, esse excedente está em torno de 28 mil megawatts. Tolmasquim ressalta ainda que o remanejamento de energia também deve ser levado em conta. “A construção de linhas de transmissão também pode suprir o aumento da demanda”, completa ele.
Para Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, a diferença entre o aumento da demanda por energia e a expansão do PIB não está mais nos níveis constatados pelo Ipea. “Nossos estudos constataram que quando a economia cresce mais, essa diferença diminui. Levando-se em conta que os anos 80 foram um período de estagnação, esse percentual de 30% é compreensível, mas isso não se aplica à realidade de hoje”, destacou Sales.