Recuperação de commodities deve auxiliar combate à deflação, avalia banco

Société Générale aposta em uma retomada da demanda entre os maiores consumidores mundiais de matérias-primas

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SÃO PAULO – Nas últimas semanas, enquanto as bolsas espalhadas pelo mundo sofriam com as novas evidências dos danos causados pela crise, o mercado de commodities esboçava alguns sinais de recuperação. O petróleo, por exemplo, chegou a subir mais de 20%, depois de despencar entre julho de 2008 e fevereiro deste ano.

O fato chamou a atenção do banco Société Générale, que ressaltou em relatório que as cotações das matérias-primas ainda não refletem os sólidos fundamentos das mesmas. Como exemplo, o banco destaca o CRB, índice da Reuters que compreende uma cesta de commodities basicamente de energia e que atualmente se encontra muito abaixo de sua média histórica.

A despeito da recuperação recente, a instituição acredita que a questão da demanda deve continuar influenciando os preços dos insumos nos próximos meses. Assim, afirma que uma maior “debilidade” da economia global pode pressionar as cotações para novas mínimas no curto prazo, ao passo que uma retomada da atividade teria o efeito inverso.

Na opinião de seus analistas, a hipótese mais otimista é também a mais provável. Com justificativa, eles citam a expectativa de que a produção industrial norte-americana volte a subir já nos próximos meses, além dos prováveis benefícios trazidos pelo pacote de incentivo fiscal anunciado na China. Cabe lembrar que os dois países são os maiores consumidores de commodities do mundo.

Auxílio no combate à deflação

Desta forma, a equipe do Société Générale ressalta que uma recuperação das matérias-primas pode contribuir no combate a um dos efeitos mais temidos pela crise – uma deflação exagerada. O problema já é uma dura realidade nas principais economias mundiais, incluindo as duas que mais consomem combustível no planeta.

No caso dos Estados Unidos, especificamente, o banco projeta uma deflação de 2% até a metade de 2009. Contudo, tendo em vista a curva futura para os contratos de petróleo, acredita que o CPI (Consumer Price Index) deverá estar de volta ao território positivo até o final do ano.