Recuo das commodities leva investidores a perguntarem sobre impactos, diz BofA ML

Resfriamento da economia mundial e incertezas a respeito do crescimento chinês influenciam no preço das matérias-primas

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SÃO PAULO – A recente queda do preço das commodities, após atingir um pico em abril, começou a fazer com que investidores se perguntassem a respeito de seus impactos nas economias da América Latina. Para a equipe do Bank of America Merrill Lynch, o Brasil e a Argentina deverão ser os países que sofrerão maior impacto no PIB (Produto Interno Bruto).

De acordo com os analistas David Beker e Marcos Buscaglia, o desaquecimento da economia global e as incertezas a respeito do crescimento da China geraram esse tipo de dúvida. Contudo, o economista da instituição especializado na economia chinesa, Ting Lu, afirma que o crescimento chinês deverá continuar forte nos próximos três anos.

Todavia, os mercados deverão permanecer receosos a respeito do preço das commodities, ao analisar as perspectivas do crescimento chinês nos próximos anos, fazendo com que o analista especializado em petróleo, Francisco Blanch, preveja uma queda dos preços do petróleo, com o preço terminando o ano em US$ 88 por barril. 

Dependente de commodities
A América Latina continua sendo uma grande dependente de commodities em suas exportações, o que acaba provocando uma maior necessidade desses países de acompanhar a oscilação de preços, avalia o time do BofA. “Em nossa visão, a evolução dos termos de negociação é o fator chave a ser analisado”, afirmam Beker e Buscaglia.

Eles destacam ainda que, embora o Brasil responda por uma das menores participação de commodities em suas exportações dentre os países da região – apenas 58% das exportações brasileiras são de commodities -, a economia brasileira também é a mais fechada, com as exportações e importações representando apenas 18,6% do PIB. O Chile, por outro lado, é o pais mais aberto, com 73,7% nesse mesmo tipo de comparação. 

Ainda olhando para as vendas internacionais do País, 39,7% das exportações brasileiras são de agricultura, enquanto 18,9% são de petróleo e minérios e 39,4% são de produtos manufaturados ou industriais. As economias do México (que dependem 82,3% da indústria) e da Venezuela (que depende 95% de petróleo), por sua vez, são menos diversificadas. 

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Mercados mais diversificados
A América Latina tem aumentado sua diversificação entre parceiros comerciais, aumentando seus laços com a China, visto que o desaquecimento das economias avançadas fez com que os países expandissem seu comércio, destaca o Bank of America Merrill Lynch.

O gigante asiático, não deverá, para o BofA ML, ser um problema para as commodities, que deverão ter seus preços estabilizados em termos benéficos para a região. 

A América Latina atualmente tem 18% de suas exportações destinada para países da própria região, com o Brasil sendo um importante comprador de produtos como a soja argentina, petróleo colombiano e cobre chileno.