Recomprando OGX? Corretora usada por Eike lidera compras da ação na semana

Através da corretora do banco Itaú, Eike Batista vendeu ações da sua petrolífera no mercado em maio, o que foi muito mal recebido pelo mercado

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SÃO PAULO – Eike Batista vendeu 70 milhões de ações da OGX Petróleo (OGXP3) em maio, mas pode estar recomprando parte desta exposição neste mês, já que a Itaú Corretora, corretora que ele usualmente utiliza para suas operações na BM&FBovespa, lidera o fluxo comprador da ação desde a última sexta-feira (14), adquirindo 15 milhões de ações a mais do que foram ventidas até o pregão de quinta-feira (20).

A divulgação de que Eike vendeu os papéis, no dia 10 de junho, após o fechamento do mercado, iniciou um efeito desastroso: a ação caiu 7,38% na sessão seguinte e chamou a atenção do mercado para um suposto estresse financeiro vivido pelo controlador – que precisaria levantar dinheiro no mercado para cumprir obrigações. Dessa vez, ele poderia estar tentando “reconquistar” a credibilidade. “Eu acho possível que seja ele, sim. É um pré-julgamento, temos que esperar um comunicado ser enviado para o mercado, mas nada impede de ser ele”, afirma Elad Revi, analista da Spinelli Corretora. 

Da última vez, Eike havia vendido as ações em quatro pregões após uma leve recuperação nas cotações dos papéis de OGXP3, chegando a receber cerca de R$ 122 milhões. Poucos dias depois, a divulgação da produção da empresa atentou para os problemas operacionais vividos pela companhia no campo de Tubarão Azul – fazendo com que o movimento de queda se acelerasse. Se Eike vendeu a primeira parte das ações a R$ 1,75, a cotação da OGXP3 chegou a R$ 0,75 nesta última quinta-feira.

A possível venda de ativos da OGX por Eike já havia sido especulada pelo Portal InfoMoney no final de maio, já que a corretora do Itaú intermediou uma forte quantidade de venda dos papeís OGXP3. Do começo de maio até o dia 27, a corretora vendeu 45,57 milhões de ações a mais do que comprou, sendo que somente no dia 27 o saldo vendedor do Itaú ficou em 14,99 milhões.

Com a venda, a participação de Eike no capital da OGX reduziu de 61,09% para 58,92%.

Dá para dizer que é ele?
Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora, ressalta que é difícil dizer se é o Eike ou não que está vendendo, já que o fato de que a Itaú Corretora está liderando pode ser apenas coincidência. “Tem muita gente vendida, em todas as corretores e que precisa fechar a operação, com o medo que se esgote o limite de aluguel. Não dá para afirmar nem que sim, nem que não”, destaca. 

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Ele lembra que é um papel que já caiu bastante e se tornou mais especulativo do que propriamente responder pelos seus fundamentos. “Esse é um assunto espinhoso, tem muita emoção envolvida, virou muito passional discutir a situação das empresas do Eike Batista no momento”, acredita. 

Mensagem de que está barato?
Se da outra vez, Eike vendeu no momento correto, Revi acredita que nada impede que este seja o momento certo para comprar as ações – se ele for o responsável pelo fluxo de ações compradas pelo Itaú recentemente. El
e já sinalizou que acredita que o papel está barato – ao cancelar a OPA (Oferta Pública de Aquisição) da CCX Carvão (CCXC3) por “condições fracas do mercado”. Cada ação da CCX seria precificada a R$ 4,31 durante a troca, sendo que Eike precisaria entregar ações de suas empresas até conseguir disponibilizar essa quantia para o acionista. 

Assim, o preço baixo das cotações das empresas prejudicava Eike Batista na troca, já que ele teria que entregar mais ações das empresas “X” do que acreditava ser justo, e o cancelamento sugere de que Eike acredita que as ações estão “baratas demais” nos atuais patamares. “É uma forma de passar essa informação, sim, como se fosse um ‘o preço está muito barato e eu não vejo um motivo para isso'”, termina Revi.