Análise da Nomura

Recessão e desemprego ajudarão o Brasil no combate à inflação em 2016, diz Nomura

A economia fraca e o mercado de trabalho menos pressionado devem fazer a diferença para trazer o IPCA de volta para dentro da meta do Banco Central

arrow_forwardMais sobre
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Um dos mais graves problemas econômicos que o governo atual enfrenta, a inflação oficial medida pelo governo já está em 8,17% ao ano, contra uma meta cujo teto está em 6,5%. Diante do fantasma da hiperinflação que volta e meia toma conta do imaginário do povo brasileiro, faz todo sentido que Ministério da Fazenda e Banco Central tenham juntado forças para trazer este indicador de volta aos trilhos. No entanto, a solução será bem dolorosa segundo aponta um relatório da corretora Nomura. 

Assinado pelo analista de pesquisa para América Latina João Pedro Ribeiro, o texto lembra que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) bem acima da meta está sendo pressionado para cima por conta do aumento dos preços administrados como as tarifas de energia e de transportes e os combustíveis. A inflação deve então cair no ano que vem, beneficiada por uma combinação de efeitos favoráveis como o fim deste ajuste pontual e, principalmente, com o mercado de trabalho mais fraco. Com relação ao desemprego, a relação é simples: menos pessoas ganhando salários é igual a menos consumo, portanto a demanda cai e os preços ficam mais baixos. 

Outro ponto importante é que o Banco Central enfatizou que busca levar a inflação de volta a 4,5% ao ano até o fim de 2016. Os preços regulados (23% do peso do IPCA), devem cair no nível atual, que está em 13% de avanço na comparação atual, já que os ajustes já foram feitos. Já os bens não-comerciáveis (41% do IPCA) vão passar a subir menos com a economia fraca e a pressão salarial menor. Por fim, os bens comerciáveis (35% do IPCA) ainda vão sofrer com o câmbio depreciado, mas devem ter algum benefício por conta da derrocada dos preços das commodities. 

Aprenda a investir na bolsa

Com isso em mente, a Nomura espera que a inflação termine 2015 com uma expansão de 8,6% ao ano, ante expectativas de 8,3% da mediana das previsões do mercado e 7,9% das projeções oficiais do Banco Central. Para 2016, a equipe da corretora espera o IPCA em 5,3% ao ano (contra 5,5% do consenso de mercado e 4,9-5,1% da expectativa do BC). “Em geral, há uma grande queda no caminho: esperamos 3 pontos percentuais de retração de 2015 para 2016 […] ainda que atingir o centro da meta no fim de 2016 vá ser desafiador”, pontua o relatório. 

Assim, baseado no princípio do trade-off (ou dilema) entre inflação e desemprego, talvez tenhamos que torcer para um arrefecimento do mercado de trabalho se quisermos voltar a consumir os produtos a preços mais modestos.