Receio com ritmo de crescimento mundial pressiona mercados

Indicadores sobre economia global, bem como notícias vindas da China, mantêm bolsas mundiais em queda neste início de semana

Publicidade

SÃO PAULO – A preocupação com o ritmo de crescimento econômico global influencia negativamente os negócios desta segunda-feira (5). A agenda macroeconômica carregada, bem como notícias vindas da China, mantêm as bolsas mundias em baixa neste pregão.

A manhã é de queda generalizada nos mercados acionários da Europa, com as bolsas asiáticas tendo fechado no vermelho. O sinal negativo também aparece nos contratos futuros dos principais índices de ações de Wall Street, movimento que deve ser seguido pela bolsa nacional.

O mau humor começou cedo diante do corte da previsão de crescimento econômico da China. O governo chinês estabeleceu meta para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 7,5% em 2012, menos do que a taxa simbólica de 8% que manteve nos últimos oito anos. A infomação é do jornal Wen Wei Po, de Hong Kong, que menciona o ex-ministro de indústria e tecnologia da informação Li Yizhong.

“A meta mais baixa é um reconhecimento de que o crescimento potencial da China está prestes a desacelerar nos próximos anos”, escreve a equipe de análise do Danske Bank em relatório.

No Velho Continente…
A agenda da Zona do Euro só fez piorar o sentimento dos investidores, com o PMI (Purchasing Managers’ Index) composto da região – uma medida da atividade tanto do setor de serviços quanto da indústria de transformação – caindo para 49,3 em fevereiro, de 50,4 em janeiro. O resultado final, calculado pelo Marki Economics, ficou abaixo do número preliminar divulgado para o mês, e também da marca de 50, o que indica retração da atividade.

Outros dois indicadores mostraram melhora na economia europeia, mas tiveram pouca força para mudar o rumo dos negócios. As vendas no varejo do bloco monetário foram mais fortes que o esperado em janeiro, contrariando as expectativas de uma queda e se recuperando de quatro meses consecutivos de retração na comparação mensal, conforme dados publicados pela Eurostat. As vendas nos 17 países da Zona do Euro subiram 0,3% na comparação mensal, para uma leitura estável no confronto anual.

Continua depois da publicidade

No mesmo sentido, a confiança do investidor da região da moeda única aumentou para -8,2 pontos em março, de -11,1 pontos no mês passado, segundo informações do grupo de pesquisa Sentix.

À espera…
Além da cesta de indicadores que o mercado já recebeu, o dia ainda promete números sobre a economia norte-americana. Ainda está prevista a divulgação do ISM Services, que mede o nível de atividade não-industrial nos Estados Unidos, e do Factory Orders, que mostra o volume de pedidos feitos à indústria norte-americana como todo, incluindo bens não duráveis.

Grécia segue no foco
Ainda que a agenda econômica chame a atenção nesta jornada, a crise da dívida na Zona do Euro, principalmente no que diz respeito à Grécia, continua no radar dos investidores. O mercado aguarda a adesão dos credores privados no swap de dívida grega em 8 de março, enquanto reportagens dão conta de que no dia 9 os ministros de Finanças do bloco da moeda comum realizarão uma teleconferência para discutir o resultado.

Continua depois da publicidade

Entretanto, falando na televisão na noite de domingo, o diretor-gerente do IIF (Instituto de Finanças Internacional, na sigla em inglês), Charles Dallara, expressou otimismo ao dizer que a redução da dívida grega poderia encontrar forte interesse dos credores do setor privado.

O governo grego pretende obter 90% de participação na troca voluntária da dívida, mas estabeleceu 75% como um patamar mínimo para que o acordo avance.