Realização de lucros volta a pressionar, e mercados abrem setembro em queda

Ibovespa perde patamar de 56 mil pontos; recuperação da economia continua preocupando; dólar tem sétima alta seguida

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SÃO PAULO – O primeiro pregão do mês de setembro trouxe perdas aos principais mercados globais, que ignoraram bons indicadores econômicos nesta terça-feira (1). Dúvidas sobre a solidez das recentes altas – agosto foi o melhor mês dos índices Dow Jones e S&P 500 desde 2000 – seguem preocupando investidores, e estendendo o movimento de realização de lucros.

Dessa maneira, o Ibovespa acompanhou os movimentos de Wall Street e fechou com queda de 1,19%, a 55.814 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 5,35 bilhões.

Por aqui, além do noticiário corporativo e indicadores econômicos, o mercado também ficou atento ao primeiro dia de reunião da cúpula de política monetária do Banco Central, em que será decidido o futuro da taxa básica de juro do País. A decisão do comitê será apresentada na próxima quarta-feira (2).

Noticiário corporativo

O noticiário corporativo foi dominado pelas companhias de tecnologia e internet em Wall Street, assim como pelo setor financeiro. Com as quedas recentes, o VIX (Volatility Index), indicador que mede a volatilidade nos mercados, atingiu seu maior nível desde julho.

O setor bancário liderou as perdas do dia nos EUA, ofuscando dados econômicos positivos. As ações da seguradora AIG (American International Group) despencaram 20,58% e se destacam entre as baixas, após analistas se mostrarem descrentes com os fundamentos para o setor diante de fortes ganhos acumulados. As ações do setor caíram em Nova Iorque, com desvalorizações significativas dos ativos de instituições como Citigroup (-9,20%), Morgan Stanley (-5,21%) e Bank of America (-6,42%).

Em meio ao início da revisão por autoridades dos EUA da capacidade dos bancos para devolver os empréstimos emergenciais tomados durante a crise, o Bank of America anunciou que também deseja devolver US$ 20 bilhões dos recursos emprestados. Da mesma maneira, a Bloomberg noticiou que o Wells Fargo (-4,76%) planeja devolver o dinheiro ao TARP (Troubled Asset Relief Program) em breve, sem nova oferta de ações.

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No segmento de tecnologia, a companhia Ebay (-2,08%) anunciou o acerto da venda do sistema de comunicações Skype. Além disso, o investidor Carl Icahn decidiu desfazer-se de sua participação no Yahoo! (-2,94%), após tornar-se um dos maiores defensores da associação à Microsoft (-2,64%).

Já no setor automobilístico, a Ford (-4,74%) anunciou aumento de 17% nas vendas no mês de agosto – enquanto a Chrysler reportou queda de 15% no período. A GM anunciou recuo de 20% em suas vendas na comparação com agosto de 2008.

Ibovespa

As empresas do setor imobiliário registraram novas perdas no principal índice da bolsa brasileira. Os papéis da Cyrela e Rossi Residencial tiveram sua quarta sessão de baixa – mas os ativos das companhias ainda figuram entre as maiores valorizações do Ibovespa no ano. ALL e Sabesp também tiveram perdas no pregão.

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Na outra ponta, as ações da GOL lideraram isoladas os ganhos do dia, após três sessões de desvalorização. Os ativos da Klabin e Light também avançaram no Ibovespa.
As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
CYRE3 Cyrela Realty ON 22,10 -6,71 +143,53 113,06M
ALLL11 ALL UNT N2 13,06 -4,11 +31,43 38,60M
SBSP3 Sabesp ON 33,30 -4,03 +24,24 12,80M
RSID3 Rossi Resid ON 11,48 -4,01 +209,77 45,68M
GFSA3 Gafisa ON 26,35 -3,52 +153,88 66,61M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
GOLL4 Gol PN N2 18,04 +3,98 +82,04 31,13M
KLBN4 Klabin PN 3,73 +2,19 +15,69 7,97M
LIGT3 Light ON 24,39 +2,18 +23,08 32,10M
ELPL6 Eletropaulo PNB N2 35,45 +1,37 +66,43 26,17M
TCSL4 TIM Part PN 4,00 +1,01 +41,17 9,75M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

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Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
PETR4 Petrobras PN 31,60 +0,70 754,58M 571,03M 24.878
VALE5 Vale PNA 32,58 -0,97 493,63M 490,10M 13.588
PETR3 Petrobras ON 37,33 -0,53 328,59M 130,94M 12.491
BVMF3 BMFBovespa ON 11,25 -3,18 230,48M 165,14M 13.729
ITUB4 Itau Unibanco PN 31,05 -2,85 211,71M 181,02M 8.822

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Marco regulatório do petróleo

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou durante entrevista coletiva na véspera que o objetivo do governo é concretizar a capitalização da Petrobras da forma mais rápida possível para evitar a oscilação das ações da empresa.

O diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, também se pronunciou sobre a capitalização, afirmando que a ação se dará através de duas operações distintas – a primeira será uma emissão de ações da companhia em que o governo vai subscrever o equivalente a até 5 bilhões de barris de petróleo em títulos públicos, e integralizá-los no capital da companhia, e a segunda na qual os minoritários vão exercer o direito de acompanhar o governo para não serem diluídos.

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O executivo disse ainda, nesta sessão, que a exploração do petróleo da camada pré-sal deve exigir da Petrobras, nos próximos cinco anos, um investimento adicional de cerca de US$ 10 bilhões, além do orçamento previsto para o período, que é de US$ 30 bilhões.

Sobram dúvidas no mercado a respeito de como se dará a capitalização da Petrobras. O próprio presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, declarou nesta terça-feira que qualquer valor que for dado no momento sobre o tamanho da operação de capitalização da Petrobras é “especulação infundada”. As novidades e incertezas que envolvem o pré-sal novamente exerceram influência nas ações da Petrobras.

Agenda

No âmbito nacional, destaque para a divulgação do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), que marcou inflação de 0,2%, taxa 0,01 ponto percentual abaixo da medição anterior. Este foi o menor resultado desde a quarta semana de junho de 2009.

Por aqui, são avaliados ainda os números da balança comercial, que registrou na última semana de agosto um saldo positivo de US$ 647 milhões, totalizando no acumulado do mês um superávit de US$ 3,074 bilhões.

Nos EUA, o ISM Index, que mede o nível de atividade industrial, ficou acima do esperado no mês de agosto, e o número de contratos de compra e venda de casas usadas apresentou avanço de 3,2% em julho. Ambos os resultados são sinais de que a recessão pode ter chegado ao fim.

Já a Federação de Logística e Aquisição divulgou o PMI (Purchasing Managers’ Index) da China, que passou de 53,3 pontos em julho para 54 pontos em agosto, maior ritmo de expansão desde abril de 2008.

Por fim, a produção manufatureira na Zona do Euro reduziu o ritmo de queda em agosto, revela o indicador PMI, produzido pela empresa Markit. No mês, o PMI atingiu 48,2 pontos, acima dos 46,3 pontos em julho. Este é o nível mais elevado do indicador em 14 meses – que, entretanto, continua abaixo dos 50 pontos, o que sinaliza retração. Os mercados europeus também sofreram a influência da aceleração do desemprego na Zona do Euro para 9,5%.

Dólar

Após chegar a registrar perdas próximas a 1% durante a manhã, o dólar comercial inverteu sua trajetória durante a tarde, fechando esta terça-feira em alta de 0,85%, sendo cotado na venda a R$ 1,905. Com esta nova valorização – a sétima consecutiva – a moeda atingiu sua máxima desde 21 de julho, quando encerrou valendo R$ 1,908.

Como de costume, o Banco Central brasileiro voltou a intervir no câmbio ao realizar uma compra de dólares no mercado à vista. Segundo o Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais), a operação teve início às 15h38 e terminou às 15h48 (horário de Brasília), a uma taxa de R$ 1,9075.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa nesta terça-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,67%, baixa de 0,07 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 133,15% de seu valor de face, o que representa uma alta de 0,95%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 274 pontos-base, alta de 4 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais


Nos EUA, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou em baixa de 2,21% e atingiu 998 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite desvalorizou-se 2,00% a 1.969 pontos. Da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 1,96% a 9.311 pontos.


Na Europa, o

índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou baixa de 2,51% e atingiu 5.327 pontos;
no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 1,92% chegando a 3.583 pontos
e o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 1,82% a 4.820 pontos.

Veja os indicadores previstos para a próxima quarta-feira
Por aqui, o mercado volta suas atenções para atualização da taxa Selic, que será divulgada pelo Copom (Comitê de Política Monetária).

A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) apresenta o IPC referente ao mês de agosto. O índice é baseado em uma pesquisa de preços feita na cidade de São Paulo, entre pessoas que ganham de 1 a 20 salários mínimos.

Nos EUA, sai o ADP Employment, documento que descreve os dados referentes a novos postos de empregos criados no setor privado do país em agosto.

O Departamento de Trabalho dos EUA publica a revisão do Productivity & Costs referente ao segundo trimestre. Esse índice mede a produtividade da mão-de-obra da economia norte-americana, excluída a agropecuária.

Será publicado o Factory Orders referente ao mês de julho. Esse índice mede o volume de pedidos, feitos à indústria como um todo, de bens duráveis e bens não-duráveis.

Será apresentado o relatório de Estoques de Petróleo norte-americano, semanalmente organizado pela EIA (Energy Information Administration). O documento é considerado uma importante medida, já que os EUA são o maior consumidor do combustível.

Por fim, o Federal Reserve divulga a ata da última reunião de política monetária.