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Macroeconomia

Realidade da economia e do mercado se descolaram, mas para economista, isso é bom sinal

Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, diz estar otimista para o Brasil nos próximos anos, mesma posição que o mercado tem assumido, como mostra o Ibovespa, os CDSs e o câmbio

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SÃO PAULO – O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, está otimista com o futuro do Brasil. E não é só ele. Uma análise dos gráficos macroeconômicos contra os do mercado brasileiro nos últimos meses mostra que apesar da piora dos indicadores, o investidor comprou como positivas as medidas de ajuste do governo tanto no âmbito fiscal como monetário.

Para Ilan, como mercado é principalmente perspectiva, a alta do Ibovespa recentemente, assim como a desaceleração da depreciação do câmbio e a queda no rendimento dos CDSs (Credit Default Swaps), revela que o futuro não está mais tão sombrio como parecia estar no começo do ano.

Vale lembrar que o CDS funciona como um seguro para o caso de calote da dívida para um determinado título. Se, como no caso brasileiro, eles saíram de 320 pontos para perto de 250 pontos, significa que o seguro ficou mais barato, ou seja, o risco caiu. Para Goldfajn, é como se o mercado tivesse elevado o rating brasileiro de volta para o investment grade depois de derrubá-lo no começo de 2015. 

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O motivo de toda esta revisão de perspectivas, na avaliação do economista da maior instituição financeira privada do Brasil, é principalmente a série de medidas de contenção de gastos e aumento das receitas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Com elas, ele diz que o País deve fazer um superávit primário de 0,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015. O número fica abaixo da meta do governo, que é de um resultado primário positivo de 1,2%, no entanto, deverá bastar para que o Brasil mantenha o grau de investimento. 

“Fazendo a analogia com uma escola, é como se 0,8% fosse a nota mínima para passar de ano”, brincou Ilan. Em 2016, ele acredita, os ajustes deverão continuar, levando a um superávit que ficará em 1,5% do PIB, também abaixo da meta de 2% para o ano que vem, mas sinalizando que a situação da dívida externa poderá continuar administrável, isto é, sem aumentar nem reduzir de tamanho. Isso mesmo com a taxa Selic em franca ascensão, com as estimativas do próprio Itaú sendo de que ela chegará a, no mínimo, 13,5% em 2015.

O futuro também promete ser mais positivo principalmente caso a presidente Dilma Rousseff (PT) não vete a lei da terceirização, que na avaliação de Goldfajn, pode ajudar o crescimento a sair de uma armadilha de 2% de expansão anual para perto de 4%, um pouco abaixo do nível médio da época do boom das commodities. “A lei é uma reforma importante porque dá flexibilidade e gera mais emprego”, explica.