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SÃO PAULO – Uma eventual elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic (atualmente em 11,25% ao ano), ampliaria a diferença entre os juros interno e externo, intensificando o processo de valorização do Real. Previsão da Trevisan é que o processo faça com que mais produtos importados cheguem ao País, com preços competitivos em relação à produção nacional.
“Os números da balança comercial de janeiro mostram os efeitos da valorização do real sobre os fluxos de comércio, pois, embora as exportações tenham aumentado em 20,9%, as importações cresceram 45,6%”, afirmou o consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da empresa, Pedro Raffy Vartanian.
Uso doméstico
“Tudo indica que o setor industrial brasileiro terá a mesma experiência vivenciada entre 1995 e 1996, quando produtos brasileiros foram sendo gradativamente substituídos por produtos importados de menor custo, devido ao câmbio”, completou Vartanian.
Na opinião do executivo, produções internacionais de uso básico serão aquelas que os consumidores mais terão à disposição nas prateleiras de supermercados e nas vitrines de lojas. “Desde fraldas, a canetas e chocolates, assim como itens de uso doméstico”, explicou.
Turismo
Viagens internacionais também devem ser estimuladas. Vartanian lembrou ainda que o gasto de brasileiros no exterior cresceu em níveis significativos e que houve uma troca de destinos domésticos para os de fora do País.
Segundo a Nota do Setor Externo, do Banco Central, foram deixados US$ 8,211 bilhões no exterior em 2007, contra US$ 5,764 bilhões um ano antes – representando um aumento de 42,45%. E esse ritmo deve se intensificar.
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Pontos negativos
Mas esse cenário não é apenas positivo. Em primeiro lugar: se a Selic sobe, aumentam também as taxas de juros – que já não são baixas – empregadas ao consumidor e a empresas. Em outras palavras, o crédito fica mais caro.
Além disso, a produção nacional precisa baixar os preços para concorrer com a internacional. Isso, em um primeiro momento, é bom para quem compra, mas, com o tempo, pode virar algo negativo. “A empresa vai baixando a margem de lucro até um momento que precisa sair do mercado”, disse o executivo.
Essa situação ainda não é verificada, mas pode vir a ocorrer. “Para o consumidor, claro, quanto menor o custo, melhor. Mas pensando como trabalhador, existe o risco de perder o emprego”, finalizou.