Reajustes de preços favoreceram mais a baixa renda desde 1995

Ainda segundo pesquisa do Ipea, entre 1995 e 2005, o poder aquisitivo do brasileiro caiu mais do que sua renda

Por  Flávia Furlan Nunes -

SÃO PAULO – Os reajustes de preços no mercado brasileiro registrados desde 1995 sempre favoreceram a parcela da população com menor poder aquisitivo. A conclusão faz parte do estudo “Desigualdade e Bem-Estar no Brasil na década da Estabilidade”, realizado pelos técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sergei Suarez Dillon Soares e Rafael Guerreiro Osorio, e divulgado na terça-feira (08).

De acordo com o estudo, o fato de ter beneficiado os mais pobres não significa que a inflação foi a favor deles todos os anos. “Quer dizer apenas que, nos anos em que a inflação foi maior para os pobres que para os mais ricos, a elevação de preços da cesta dos mais pobres não foi suficiente para compensar a menor elevação dos anos anteriores, mantendo-se o índice acumulado sempre “pró-pobre””, explicou o estudo.

Poder de compra caiu mais que renda

De acordo com o estudo, o poder aquisitivo do brasileiro caiu mais do que a renda, medida com bases na inflação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o que significa que mesmo mantendo quase o mesmo rendimento mensal, com algumas quedas, o poder de compra da população diminuiu muito mais.

Ainda com relação ao poder de compra, o estudo ressalta que os mais ricos gastam muito mais com comunicações e transportes, sendo que, no primeiro grupo, os preços tiveram inflação de 770%, contra 109% do IPCA em geral.

Câmbio e gastos

Enquanto os gastos dos mais ricos são maiores em comunicação e transporte, a parcela com menor poder aquisitivo da população costuma gastar mais com alimentação, bebidas e vestuário, produtos com o preço atrelado à taxa de câmbio.

O estudo explica que a valorização cambial favorece os preços ao consumidor mais pobre. “Os anos nos quais a variação dos preços foi “antipobre” foram 1998, 1999, 2002 e 2003, justamente quando houve desvalorizações cambiais reais. A apreciação do Real que desespera os exportadores traz diversidade para a mesa das camadas menos favorecidas da população”, concluiu o estudo.

Compartilhe