Reajuste dos preços é positivo para Petrobras, mas quando deve sair?

Manobra vai trazer melhor rentabilidade para empresa, mas mercado diverge sobre quando será implementada

•

Publicidade

SÃO PAULO – As expectativas em torno do rejuste nos preços dos combustíveis crescem desde que o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, indicou que o aumento no preço da gasolina não é descartado, enquanto a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, defendeu que deve haver uma alta nos preços para conseguir arcar com o novo plano de negócios, no valor de US$ 236,5 bilhões.

Agora, o que os analistas especulam é quando esse reajuste pode sair, uma vez que traria melhor rentabilidade para as refinarias da empresa.

Embora muitos especialistas do mercado antecipem este reajuste, os analistas do Deutsche Bank, Marcus Sequeira e Luiz Fonseca, não acreditam que essa elevação nos preços possa ocorrer ainda este ano, apesar de dever vir nos próximos anos. Com isso, eles mantém a visão de alta interferência do governo nas decisões da empresa, o que traz um contínuo cenário nebuloso para a produção no curto prazo e na perspectiva dos preços.

Cide seria solução para evitar repasse
“O aumento de preços é importatne para elevar a rentabilidade das refinarias e também para melhorar a credibilidade da empresa junto aos investidores”, comenta o analista Fernando Siqueira, da Citi Corretora. O último reajuste de combustíveis foi feito em outubro de 2011 e a companhia usou como estratégia reduzir o percentual do Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) – que atua como regulador dos o preço dos combustíveis – que incide sobre o valor da gasolina e do diesel. Contudo, essa redução de imposto expira no final de junho, o que deve abrir caminho para este novo reajuste, comentou Siqueira. 

Para evitar que o aumento seja repassado ao consumidor final, o governo pode, novamente, se valer da estratégia de diminuir o Cide. Porém, o espaço para essa manobra está cada vez menor.

Atualmente, para reajustar o preço da gasolina em 8% sem repassá-lo ao consumidor final, o governo teria que zerar a cobrança do Cide sobre o combustível. Já no caso do diesel, o reajuste máximo seria de 4%, o que não seria suficiente para levar o preço no mercado local para o mesmo nível do preço do mercado internacional, mas representaria um acréscimo de R$ 4 bilhões no Ebitda (geração operacional de caixa) anual da Petrobras, o que “com certeza seria positivo”, indica o analista da Citi. 

Continua depois da publicidade

Outra solução para a manutenção dos preços dos combustíveis seria a elevação da porcentagem de Etanol na gasolina C, mas para os analistas do Deutsche Bank não resolveria o problema, apesar de reduzir a necessidade de importação de gasolina. 

A presidente da companhia destacou nos últimos dias que deve comentar mais sobre o assunto do reajuste na apresentação oficial do plano de negócios de 2012 a 2016, programada para a próxima segunda-feira (25), quando crescem os rumores para um aumento em torno de 15%.