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(Bloomberg) – Aumento de salários de servidores “vem num dos momentos mais duros de ajuste do mercado de trabalho”, no qual os “trabalhadores do setor privado estão pagando o custo dos excessos fiscais”, diz Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos.
- “Este é um momento de dividir esses custos com o funcionalismo, porque os servidores têm estabilidade; quem está no setor privado tem medo de desemprego, jovens não conseguem entrar no mercado de trabalho”
- Reajuste do funcionalismo “mostra insensibilidade com realidade do mercado de trabalho, e com a conivência dos sindicalistas”
- “Cadê os sindicalistas para dizer que são contra, cadê a Fiesp para dizer que não vai pagar o pato? Isso é o que mais me preocupa, a sociedade apática. A pressão da sociedade é que faria o governo reavaliar essa medida”
- “Não era o momento; isso poderia ter sido negociado”
- Governo Temer deveria “enfrentar grupos de interesse e fazer a coisa certa”
- Reajuste tem implicações para Estados, municípios e Previdência; “sempre tem efeito-cascata”
- Estimativa de impacto de cerca de R$ 58 bilhões nas contas públicas até 2019, segundo jornais, “na verdade é piso”, diz Zeina
- “Risco fiscal aumentou”
- “E como vai negociar aquelas condicionalidades de repactuação de dívidas de Estados?”
- “Por todas essas razões, é um sinal muito ruim; imagem que passa é de que não houve nenhuma negociação”
- Se governo seguir na linha “de não ser ambicioso, não vai conseguir reequilibrar orçamento, muito menos melhorar a dinâmica da dívida”
- “O risco de termos uma economia colapsando diminuiu bastante, mas o risco que corremos é de que o governo siga sempre pela via de menor resistência e, chegando ao final, a gente veja que não foi suficiente para um crescimento decente, para a inflação voltar para 4,5% e para juros voltarem a um dígito”
- “Excesso de pragmatismo político pode acabar comprometendo resultado final. Sensibilidade a grupos de pressão gera um cenário medíocre. Se decisões difíceis forem postergadas, vamos perder o bonde enquanto o mundo cresce”
- Mercado financeiro não reagiu a isso hoje porque payroll foi grande condutor dos ativos mundiais no dia
- “Quando lá fora fica ruim, o pessoal começa a olhar com mais atenção para nosssas fragilidades; quando lá fora é positivo, mercado tende a ser complacente”
- “É só lá fora azedar que essas notícias ruins acumuladas vão bater no mercado”
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