Publicidade
SÃO PAULO – Na sessão da última segunda-feira (26), as ações da Usiminas (USIM3,USIM5) registraram forte alta, com ganhos de 6,26%, a R$ 10,52 para os papeís ordinários e de 6,82%, a R$ 9,87 para os preferenciais, em meio às notícias de reajuste de preços do aço. Estes ganhos se estendem no pregão desta data, com os papéis próximos das maiores altas do índice.
Às 11h06 (horário de Brasília), os ativos USIM3 registravam alta de 1,90% (R$ 10,72), enquanto os USIM5 tinham ganhos de 1,82% (R$ 10,05). Outra siderúrgica, a CSN (CSNA3), também sobe forte, com ganhos de 2,45%, cotados a R$ 10,03. A Gerdau (GGBR4) avança 0,98%, aos R$ 16,42.
A Usiminas enviou comunicado aos seus distribuidores elevando os preços das bobinas a quente em 7,95%, os laminados a frio em 6,1% e 12,7% para os galvanizados, com o aumento de preço sendo válido a partir de 1 de março, segundo noticiado pelo Valor Econômico.
A equipe de análise da Planner Corretora ressalta que os distribuidores representam cerca de 40% do volume vendido da empresa e, normalmente, qualquer movimento dos preços começa por este canal de vendas.
Ao considerar os volumes vendidos em 2012, o impacto do aumento será positivo em R$ 270 milhões em termos anuais no lucro antes de impostos, isso se a Usiminas efetivar o aumento apenas para os distribuidores. Se o aumento de preços for repassado em igual percentual para todos os clientes, como as montadoras, o impacto será de R$ 680 milhões, o que equivale a 180% do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações) da área de siderurgia da Usiminas em 2012.
Apesar do aumento não ser muito grande, equivalendo a 5% da receita da companhia, a Planner destaca que a margem da Usiminas está tão baixa que qualquer elevação de preço exerce uma importância crucial no resultado. A margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) do segmento de siderurgia da companhia foi de apenas 3,3%.
Continua depois da publicidade
Apesar da alta, possíveis novos descontos
Já segundo os analistas do BES, Catarina Pedrosa, Felipe Machado e Gabriel Laera, apesar da alta nas ações por conta do aumento de preços, é importante notar, contudo, que o aumento ocorre na esteira dos descontos concedidos em janeiro. Com isso, há uma grande possibilidade de que haja novos descontos frente ao aumento de preços.
Por outro lado, apontam os analistas do BES, há espaço para aumento de preços neste ano, com o fim da ‘guerra dos portos” e o imposto mais alto sobre os produtos importados, supondo uma alta de 2% já no primeiro trimestre deste ano.
Recomendações
Ao levar em conta no modelo o aumento de preços aos distribuidores, o preço justo do BES seria elevado em 7,3%, em linha com a alta dos ativos USIM5 na sessão passada. Além disso, apontam Catarina, Machado e Laera, os concorrentes também podem aumentar seus preços.
Continua depois da publicidade
Atualmente, os analistas do BES possuem recomendação neutra para os ativos USIM5, com preço-justo de R$ 13,50, o que configura um potencial de valorização de 36,78% frente à sessão da última segunda-feira. Já a Planner segue com recomendação de venda para os mesmos ativos, com target de R$ 10,00 e um potencial teórico de valorização de apenas 1,32%. Entretanto, a corretora afirmou que irá fazer uma revisão do preço dos ativos.
Levando em consideração um aumento semelhante de preços pela CSN, o BES ajustaria em 3% o preço justo para os ativos, que atualmente está em R$ 16,00. Este valor configura um potencial de valorização de 63,43% em relação ao último fechamento.
Do mesmo modo, a equipe do Itaú BBA acredita que esse tom mais otimista deve oferecer um alívio de curto prazo tanto para a Usiminas quanto para a CSN. Apesar disso, eles também se mostram cautelosos com o setor, em parte por conta de uma visão negativa sobre os preços do aço, dado o excesso de oferta no mercado.