Reajuste da Petrobras, resultado da BR Malls, dividendos e mais 2 notícias agitam a noite

Entre os destaques, a Copel quer antecipar o pagamento de seus dividendo e JCP, enquanto a CVM multa os controladores da Brasil Brookers em quase R$ 1 milhão

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SÃO PAULO – Em noite agitada, a Petrobras (PETR3; PETR4) ficou em evidência nesta terça-feira (4) após rumores de que o governo autorizou a companhia a realizar o reajuste de preços, enquanto a companhia afirmou em comunicado ainda não ter decidido sobre as novas tarifas a serem praticadas. Confira abaixo os outros destaques da noite:

Time for Fun
A companhia de entretenimento Time For Fun (SHOW3) informou nesta terça-feira (4) que foi aprovada a prorrogação do programa de recompra de ações da companhia, com prazo máximo de aquisição dos papéis de até 365 dias, contados a partir de hoje e tendo como data final o dia 3 de novembro do ano que vem.

A companhia ainda colocou em comunicado que a quantidade de ações da empresa no “free float”, ou em circulação no mercado, é de 37.633.540, sendo que o limite de ações a serem adquiridas do âmbito do programa é de até 2.164.300 ações ordinárias, representando 5,75% do free float.

De acordo com o comunicado, o motivo da recompra é “manter as ações em tesouraria com objetivo de gerar valor a seus acionistas, podendo futuramente ser canceladas, alienadas ou utilizadas em atendimento ao exercício de opções de compra outorgadas pela companhia”.

As operações serão de aquisição serão realizadas a preço de mercado no pregão da BM&FBovespa e serão mediadas pelo BTG Pactual, Bradesco e Credit Suisse. A companhia finaliza acrescentando que “o programa atende também aos interesses da Companhia, tendo em vista nossas perspectivas de crescimento e rentabilidade de médio e longo prazos”.

Copel
A Copel (CPLE6) anunciou nesta terça-feira (4) que propôs a antecipação do pagamento da parcela de dividendos e Juros sobre Capital Próprio, em substituição aos dividendos do exercício de 2014, no montante de R$ 380,8 milhões, correspondentes a 50% do lucro líquido ajustado do primeiro semestre de 2014.

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O pagamento será iniciado no dia 21 de novembro, com direito a receber o benefício os acionistas que estiverem posicionados nos papéis no dia 6 de novembro, com os ativos sendo negociados como “ex” no dia 7.

O valor será compensado por ocasião da definição dos dividendos anuais de tal exercício, sendo pagos dividendos no valor de R$ 350,8 milhões, sendo R$ 1,22416 por ação ordinária (CPLE3), R$ 1,34678 por ação preferencial classe A (CPLE5), e R$ 1,34678 por ação preferencial classe B (CPLE6). Já os Juros sobre Capital Próprio serão no montante de R$ 30 milhões, sendo R$ 0,10469 por ação ordinária, R$ 0,11519 por ação preferencial classe A e R$ 0,11519 por ação preferencial classe B. O provento distribuído ainda passará por ratificação da Assembleia Geral Ordinária de Acionistas.

Brasil Brokers
A CVM multou nesta terça-feira (4) os acionistas controladores da Brasil Brokers (BBRK3) Angela Nerly Pereira, Cristiano Motta Cruz e Fernando Alves de Oliveira em um montante de R$ 900 mil no total. A informação é da Agência Estado. Os três foram acusados por “insider trading“, tendo operado após receberam informações privilegiadas sobre a companhia. De acordo com a agência de notícias, os acionistas negociaram ações da companhia antes da divulgação das demonstrações financeiras da empresa em 2011.

De acordo com a companhia, os controladores tiveram acesso a uma prévia dos resultados da companhia em 9 de março de 2012, 11 dias antes da divulgação do balanço, para opinarem sobre as demonstrações financeiras, sendo que os controladores operaram com a informação entre os dias 9 e 13 de março. A lei proíbe que os controladores realizem qualquer tipo de negociação com os papéis 15 dias antes da publicação dos dados, evitando que estes realizem operações com as informações obtidas.

A defesa alegou que a venda dos ativos era operação habitual do grupo e que não houve a intenção dos acusados de operar com informações privilegiadas para conseguir vantagem alguma, já que de acordo com eles, os acionistas não obtiveram acesso a informações relevantes e realizaram negociações com menos de 2% das ações detidas.

De acordo com a matéria, um dia após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2011, as ações da companhia caíram 4,12% em relação ao preço da véspera e 5,62% em relação ao preço médio no período em que as ações não deveriam ser negociadas por eles.

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O relator do caso, o diretor Roberto Tadeu Antunes Fernandes, declarou que o “insider primário fere moralmente a credibilidade do mercado ao se colocar em posição vantajosa frente aos demais acionistas” após condenar os acusados. Além disso, ele declarou que só a tentativa de obter lucro indevido com informações privilegiadas já basta para ser considerado “insider trading”.

A condenação foi aprovada por três votos a um, este único da diretora Luciana Dias, que discordou da decisão de Fernandes declarando que a acusação de que eles tentavam obter posição vantajosa frente aos demais acionistas e que tentavam obter lucro é relativa, pedindo por fim a absolvição dos acusados.

BR Malls
O impacto negativo da Copa do Mundo em julho e a desvalorização do real ante o dólar pressionaram os resultados da BRMalls (BRML3) no terceiro trimestre, levando a uma queda do lucro líquido no período. O lucro líquido ajustado foi de R$ 123,6 milhões entre julho e setembro, queda de 3,7% em relação ao terceiro trimestre de 2013. A média das estimativas obtidas pela Reuters apontava para um lucro ajustado de R$ 97,4 milhões.

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Considerando a variação cambial que teve um impacto negativo de R$ 115,8 milhões e outros efeitos não caixa, a BRMalls teve prejuízo de R$ 8,1 milhões no terceiro trimestre. “No terceiro trimestre de 2014 mantivemos nosso crescimento em patamares saudáveis mesmo em um cenário macroeconômico desafiador”, disse a empresa em seu relatório de resultados.

As vendas no varejo brasileiro caíram 1,1% em julho sobre junho, pior resultado desde outubro de 2008, informou em setembro o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre julho e setembro, a receita líquida da companhia avançou 4,2% ano a ano, para R$ 336,1 milhões.

A BRMalls informou na sexta-feira que as vendas consolidadas foram de R$ 5,3 bilhões no terceiro trimestre, alta de apenas 1,8% na comparação anual. As vendas mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses) subiram 4,4% no período. No terceiro trimestre de 2013, este avanço tinha sido de 8,1%.

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O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 263,8 milhões no período, avanço de 1,8% na mesma base de comparação. Diante de um cenário desafiador, a empresa espera apresentar um “diferencial de crescimento” por meio de novas expansões, buscando fortalecer seus ativos atuais, disse a BRMalls.

A companhia acrescentou que continua mapeando oportunidades para adicionar novos ativos por meio de aquisição ou desenvolvimento. A empresa já anunciou mais dois projetos de expansão no Mooca Plaza Shopping, em São Paulo, elevando sua lista de expansões para oito projetos. Em agosto, inaugurou o Shopping Vila Velha, no Espírito Santo, em seu maior projeto já desenvolvido.

Com Reuters

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.