Publicidade
SÃO PAULO – Dentro das próximas semanas, é esperado que a presidente Dilma Rousseff anuncie a proposta para extensão das concessões do setor elétrico, em 20 a 30 anos, em troca de cortes da tarifa de energia, deixando as regras do jogo mais claras. Com receio dos impactos para as elétricos, o mercado já vem penalizando fortemente as ações do setor, que figuraram no mês de agosto entre as maiores perdas do Ibovespa. Mas, para o JPMorgan Chase essa reação “parece exagerada”.
Os analistas Gabriel Salas e Pedro Manfredini ressaltam que as ações da Cemig (CMIG4) e Copel (CPLE6) tornaram-se relativamente mais atrativas, depois das cotações dos papéis terem despencado no último mês. Os papéis registraram perdas de 11,56% e 13,52% em agosto, respectivamente, enquanto o Ibovespa avançou 1,72%. Segundo eles, “nada de significativo mudou no case de seus investimentos”.
Eles permanecem ainda com boa perspectiva para as companhias com contratos de concessão de longo prazo, sendo elas a Tractebel (TBLE3) e Energias do Brasil (ENBR3). Por outro lado, Salas e Manfredini reiteram que é melhor os investidores ficarem longe das ações que podem ser levemente afetadas pelo término das concessões, como é o caso da Eletrobras (ELET3; ELET6), Transmissão Paulista (TRPL4) e Cesp (CESP6).
Regras do jogo
Entre as mudanças, Salas e Manfredini esperam que o governo mude também a forma como o setor cobra os consumidores das partes mais ricas do Brasil, sul e sudeste, para subsidiar a geração de energia e projetos sociais nas regiões mais pobres do País.
Para eles, o governo está mais susceptível de reduzir os impostos e encargos setoriais, que correspondoria a aproximadamente 40% da conta final, e o que na visão dos analistas colocaria a Eletrobras, maior geradora do Brasil, no risco de se tornar “subsidiador substituto” dos projetos sociais.