RD Saúde: pessimismo com ações da companhia pode ter ido longe demais, diz BBA

O banco revisou os modelos para a RADL3 após queda de 40% nas ações, motivada pelo pessimismo com as margens das canetas emagrecedoras e a concorrência do mercado informal

Victória Anhesini

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Publicidade

Um forte pessimismo que se instalou no mercado de varejo farmacêutico. Segundo um relatório divulgado pelo Itaú BBA nesta quinta-feira (2), a situação perdeu o equilíbrio após a rápida desvalorização das ações.

Os analistas do BBA afirmam que a postura atual dos investidores mais céticos demonstra um exagero que se iguala ao otimismo desmedido de outros compradores em períodos anteriores.

As projeções e os valuations das grandes companhias do setor são o ponto central de divergência entre os analistas de mercado.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

O banco de investimentos revisou os seus modelos para as ações da RD Saúde (RADL3), devido ao cenário macroeconômico e a nova dinâmica de mercado, que agora incluí a possibilidade da venda direta de canetas emagrecedoras aos consumidores.

Leia mais: Vendas diretas de canetas emagrecedoras podem afetar farmacêuticas da B3; entenda

O banco optou por manter a recomendação neutra para os papéis da RD Saúde, estipulando um preço-alvo de R$ 20,00 para o final de 2026, o que aponta para uma valorização potencial de 20% sobre as cotações atuais.

Canetas emagrecedoras

A recente onda de desvalorização das ações da RD Saúde, que acumularam uma queda próxima a 40% desde a metade de fevereiro, foi intensificada pelas incertezas que cercam a comercialização das famosas canetas emagrecedoras, segundo o Itaú BBA. Essa categoria utiliza o hormônio sintético GLP-1 como princípio ativo.

Conforme o relatório, o receio do mercado se apoia na estabilização do faturamento do medicamento Mounjaro na casa de R$ 900 milhões por mês a partir de novembro de 2025.

Os analistas do banco avaliam que essa estagnação decorre diretamente da concorrência com o comércio de medicamentos manipulados e sem registro oficial. 

Continua depois da publicidade

“As vendas de Mounjaro estagnaram em cerca de R$ 900 milhões/mês desde novembro de 2025, o que vemos como um reflexo majoritário do rápido crescimento do mercado informal”, afirmam os analistas. Eles ressaltam, porém, que ainda há uma forte demanda real pelo produto, mas agora pulverizada fora das drogarias regulamentadas.

Com o cenário revisado, a análise projeta que os remédios da classe GLP-1 saltem de uma participação atual de 12% no faturamento da RD Saúde para cerca de 19% até o ano de 2030. 

Os analistas justificam que a empresa possui vantagens competitivas geográficas e financeiras para liderar essa fatia de mercado. “A maior exposição da RADL à população de alta renda e o maior espaço no balanço patrimonial para financiar as vendas devem manter uma participação superior em GLP-1 contra os pares”, diz o documento.

Continua depois da publicidade

O principal fator que pode reverter as projeções do setor de forma positiva reside em uma atuação governamental mais rígida sobre os laboratórios de manipulação, cujo mercado estimado deve atingir R$ 12 bilhões em 2026. 

O banco projeta que a margem bruta da RD Saúde nessa categoria deve subir dos atuais 17% para 21% com a chegada de novos produtos de emagrecimento ao varejo tradicional.

Rentabilidade por caixa

Os analistas lembram que a introdução de medicamentos para diabetes e obesidade similares e genéricos de baixo custo gerou um impacto inicial negativo na percepção dos investidores devido à redução das margens brutas. Estas, que ficavam próximas a 30%, viram uma queda para 20% nas expectativas.

Continua depois da publicidade

Além disso, o lucro bruto gerado por unidade de medicamento similar chega a ser até três vezes menor quando se compara aos medicamentos de referência, como Ozempic e Wegovy, cuja rentabilidade nominal estimada se situa entre R$ 150,00 e R$ 160,00 por caixa vendida.

Já quando o cliente opta por uma versão similar, com um ticket médio menor (cerca de R$ 300,00 por mês), a rentabilidade cai para perto de R$ 60,00 por caixa. Apesar do susto inicial com esses números menores, os analistas explicam que o ganho de escala por meio do aumento do volume comercializado, já que o preço mais acessível atrai uma massa de novos consumidores tendem a equilibrar a equação financeira de médio prazo.

Pelo lado das lojas físicas, o faturamento do dia a dia continua apresentando um ritmo saudável e seguro. O lucro bruto por ponto de venda apresentou uma evolução de 9,2% no quarto trimestre em termos anuais e avançou 9,7% no primeiro trimestre de 2026 na mesma base de comparação.

Continua depois da publicidade

O BBA destaca que o crescimento se manteve sólido mesmo quando os efeitos dos medicamentos de alta procura são desconsiderados da análise. “Vemos o lucro bruto como a métrica mais limpa, pois captura tanto as tendências de faturamento quanto os investimentos em margem nas categorias mais competitivas”, diz o relatório.

Projeções de lucro

As discussões entre os investidores de perfil comprador mostram que as ações da companhia passaram a ser negociadas perto de 15 a 16 vezes o seu P/L (Preço sobre Lucro) projetado, patamar que historicamente funcionou como uma barreira técnica contra novas quedas, segundo os analistas.

O pessimismo atual fez com que as estimativas de lucro líquido da empresa para o ano de 2027 sofressem revisões por parte dos gestores locais de fundos, passando a oscilar entre R$ 1,8 bilhão e R$ 1,9 bilhão.

O Itaú BBA se posicionou no limite superior dessa faixa de projeções. A instituição financeira argumenta que as atuais variáveis operacionais adotadas pelo mercado já se encontram excessivamente pressionadas, o que reduz as chances de novas frustrações com os resultados futuros.