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SÃO PAULO – Tendo em vista as medidas adotadas pelo governo para conter a valorização do real frente ao dólar, o RBC Capital Markets anunciou nesta segunda-feira (19) que diminuiu sua recomendação à moeda brasileira, passando de “acima da média do mercado” para “abaixo da média do mercado”..
Segundo a agência Bloomberg, a instituição reduziu sua avaliação devido à preocupação com a possibilidade de serem impostas taxas sobre o capital estrangeiro “especulativo” – ou seja, que fica por um curto período de tempo, para investimentos em renda fixa ou variável -, assim como a possibilidade de aumento na taxação da mineração.
O motivo de apreensão por parte dos analistas da RBC foi confirmado na noite desta segunda-feira por Guido Mantega. O ministro da Fazenda anunciou que, a partir da terça-feira (20), o capital estrangeiro que entrar no País para aplicações em renda fixa ou variável será tributado por uma alíquota de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Com essa medida, o Brasil tenta conter dessa maneira o enorme fluxo de capital estrangeiro que ingressou na economia doméstica, movimentou que se acentuou após o País ter seu rating elevado pela agência de classificação Moody’s, atingindo o patamar máximo de “investment grade” (grau de investimento).
Vale destacar também o retorno das ofertas de ações, na qual o investidor estrangeiro responde por uma significativa fatia de participação. Destaque para a oferta anunciada pelo Santander no início do mês, que, com uma captação de R$ 14 bilhões, tornou-se a maior operação deste tipo no mundo em 2009.
Taxação de mineração
Já o segundo fator de cautela levantado pelos especialistas da instituição segue em linha com o que foi citado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Segundo matéria da Agência Estado, Lobão admitiu que o governo pode aumentar a taxação do setor de mineração, se esta estiver aquém do valor cobrado no mercado internacional.
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Questionado por um jornalista se a taxa brasileira para exportação dos minérios é menor do que a de seus concorrentes internacionais, o ministro não confirma, mas sugere que está inferior. “Consta que está abaixo, na produção e na exportação”, disse Lobão.
Real forte
A retomada mais rápida do que o esperado por parte da economia brasileira e a intensificação do rali no mercado de commodities ajudou a intensificar o fluxo de divisas internacionais no País, o que coloca o real como a moeda com melhor desempenho neste ano.
Buscando minimizar o fortalecimento da moeda nacional, o Banco Central tem atuado diariamente na captação de dólares no mercado à vista, buscando assim retirar a moeda estrangeira do mercado e transferi-la à sua reserva internacional. Através dessas operações, as reservas brasileiras passaram de US$ 25,3 bilhões para US$ 232,1 bilhões em 2009, segundo dados do BC.
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Apesar de ter fechado esta segunda-feira em alta pela segunda sessão consecutiva, o dólar alcançou na última sexta-feira sua sétima semana consecutiva de queda frente à divisa brasileira – trajetória mais longa desde 2004. Ao longo de 2009, a desvalorização da moeda dos EUA já acumula 26,7% frente ao real.