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SÃO PAULO – Enquanto muitos investidores comemoram os ganhos, alguns fundos ficaram para trás no rali do primeiro semestre de 2009. Mesmo com a gestão de profissionais, sofreram com os temores do mercado e perderam o recomeço da festa.
Quando recorrem a um fundo, investidores buscam – e pagam – pela solidez de profissionais, de quem se espera a atenção plena aos fundamentos dos ativos, deixando de lado o nervosismo e a precipitação que costumam afetar os leigos.
Repleta de movimentos dramáticos, esta história revela que até mesmo os mais destemidos gestores foram impactados pela extraordinária situação dos mercados desde o final de 2008, aumentando exageradamente a liquidez dos fundos e deixando de lado as compras de ações – mesmo quando esta era sua recomendação. Era difícil prever o rali quando ainda se falava em risco sistêmico.
Incompetência?
A grande questão que surge para a indústria dos fundos é se isto foi produto da incompetência dos que ficaram para trás, ou apenas uma decorrência dos constrangimentos de mercado – algo crucial para o investidor definir se vale a pena pagar as taxas de administração cobradas.
Segundo pesquisa realizada pelo Bank of America Merrill Lynch há alguns meses, cerca de 40% dos gestores em Wall Street admitiam estar excessivamente posicionados em dinheiro. Ao mesmo tempo, muitos deles cantavam a todos as oportunidades para aquisição de ações abertas naquele momento.
Se o discurso sugeria risco e a prática era conservadora em excesso, os mercados cobraram seu preço. A aparente hipocrisia de muitos gestores fez com que os recursos de seus fundos ficassem estagnados em ativos líquidos, mas que não trouxeram os rendimentos vigorosos dos mercados acionários.
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Se os fundamentos apontavam para a compra de ações e a gestão profissional dos fundos é orientada pela racionalidade, pode ser difícil arranjar justificativas para um desempenho tão aquém dos índices de referência do mercado.
Realidades distintas
Apenas para exemplificar como a recuperação pode ser captada, no Brasil, o Geração FIA, administrado pela Geração Futuro, possui perfil voltado para ações e registrou variação acima do Ibovespa no mesmo período, com rentabilidade em 2009 de 60,4% até 14 de agosto. Apenas 2% de seus recursos permaneceram como disponibilidade financeira.
Já o Gabelli ABC, do gestor Mario Gabelli, que gere cerca de US$ 334 milhões e foca em papéis de empresas que são alvo de aquisições, elevou suas posições em dinheiro de 26% para 76% de setembro de 2008 para março de 2009, quando começou o recente rali das ações. Até 30 de junho, o fundo acumulava valorização de 2,7%.
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Embora os perfis dos fundos contem muito para explicar as diferenças de desempenho, os exemplos revelam como a mudança de postura da administração do fundo norte-americano fez com que seus cotistas deixassem de ganhar com a recuperação do mercado de ações.
O outro lado
Frente às críticas que receberam por conta da performance, muitos gestores alegam que a busca excessiva pela liquidez não foi culpa de seu temor, mas apenas uma resposta aos excessivos saques realizados pelos cotistas.
Também é preciso levar em consideração que o pânico instalado em Wall Street desde o início da crise levou a uma onda de demissão de gestores, o que pode ajudar a explicar o gerenciamento conservador adotado no início deste ano.
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Por outro lado, muitos investidores passaram a dar maior valor aos fundos que acompanham o mercado, com pequenos – mas constantes – retornos superiores. Na tentativa de bater a referência, os gestores podem aumentar a exposição ao risco de suas carteiras, o que aumenta a volatilidade e pode causar perdas mais pronunciadas na baixa.