Publicidade
O Itaú BBA revisou as companhias do setor automotivo sob cobertura e introduziu um scorecard para ranqueá-las, considerando perspectivas para o 4T25 e 2026, valuation e gatilhos de curto prazo.
O banco também elevou a recomendação da Randoncorp (RAPT4) de neutro para outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), enquanto manteve Marcopolo (POMO4) como o nome preferido, especialmente diante das incertezas do período eleitoral, dado o baixo impacto da volatilidade de juros, a exposição positiva ao dólar, múltiplo de 6,2 vezes P/L (Preço sobre Lucro) e dividend yield de 8% para 2026.
Às 11h46 (horário de Brasília), as ações da Randoncorp subiam 3,73%, a R$ 6,40, enquanto POMO4 avançava 0,34%, a R$ 5,96.
Viva do lucro de grandes empresas

Caos com AZUL54 era previsível, diz estrategista; ação salta 100% após tombo de 90%
Para quem permaneceu posicionado, especialista aponta o bônus de subscrição como a única alternativa

GPA: saída de CFO amplia ruído e reforça consolidação de novo controle acionário
Com a saída de Russowsky, completa-se a saída do time de gestão que atuava sob o controle do Casino
A equipe de research também reiterou mantém recomendação outperform para Frasle (FRAS3), Iochpe (MYPK3) e Tegma (TGMA3), e market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro) para Tupy (TUPY3) e Mahle Metal Leve (LEVE3), destacando, neste grupo, o risco de revisões negativas mais relevantes para a Tupy, diante de receitas e rentabilidade abaixo do esperado nos próximos trimestres.
Randoncorp (RAPT4)
A companhia ainda enfrenta desafios, mas o Itaú BBA avalia que as revisões negativas podem estar se estabilizando, o que motivou a elevação da recomendação para outperform e preço-alvo de R$ 7,50.
Após uma performance cerca de 70 pontos percentuais abaixo do Ibovespa e do índice de small caps no último ano, o banco vê espaço para uma virada, sustentada pela melhora do sentimento com a queda dos juros, possível estímulo ao mercado de caminhões via financiamentos subsidiados do BNDES, participação em novas licitações de vagões ferroviários e forte geração de caixa no 4T25, estimada em R$ 300 milhões.
Continua depois da publicidade
Para 2026, a projeção de lucro líquido é de R$ 215 milhões está próxima ao consenso do mercado, indicando que o ciclo de revisões para baixo pode estar chegando ao fim.
A XP também reiterou recomendação de compra para Randoncorp, com preço-alvo de R$ 11,00, pois continua vendo o negócio mais cíclico da Randon como excessivamente descontado quando se olha através de uma ótica de soma-das-partes. Mesmo aplicando descontos conservadores (redução de 20% no preço da Frasle e no acordo da Pátria), ainda veríamos os negócios residuais avaliados em R$ 1,5 bilhão, o que, em sua visão, não reflete as expectativas de melhoria futura dos resultados.
Frasle (FRAS3)
Para BBA, a Fras-le deve enfrentar um início de 2026 mais lento, pressionado por ajustes de estoques dos clientes em um ambiente de juros elevados, demanda fraca por manutenção de veículos comerciais devido ao desempenho do setor de grãos e impactos indiretos da guerra comercial sobre a demanda nos Estados Unidos e no México.
Mesmo assim, o Itaú BBA segue confiante no modelo de negócios da companhia e projeta crescimento orgânico de 8% em 2026, com margem EBITDA resiliente de 19%. O banco tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 26.
Para a XP Investimentos, o caso da Frasle permanece resiliente, com sua estratégia de longo prazo ancorada no ganho de participação de mercado em linhas de produtos chave, apoiada por tempos agilidade no lançamento de produtos no mercado, marcas fortes e expansão das capacidades de comanufatura, conforme discutido durante seu investor day recente.
A XP elevou a estimativa lucro líquido no médio prazo em 10%, ainda 4% abaixo do consenso, impulsionado principalmente por uma alíquota efetiva de imposto mais baixa. No entanto, com um múltiplo P/L 2026 de 15,6 vezes, a instituição vê a maior parte do potencial de valorização já precificado e manteve recomendação neutra.
Continua depois da publicidade
Marcopolo (POMO4)
Na avaliação do BBA, Marcopolo segue com valuation atrativo e risco limitado. O modelo revisado incorpora o pagamento de dividendos de R$ 880 milhões em dezembro de 2025, reduzindo a receita financeira em 2026 e levando a um lucro líquido estimado de R$ 1,2 bilhão, em linha com o consenso. A companhia se destaca pelo balanço desalavancado, forte geração de caixa, payout de 50% e exposição positiva ao dólar.
Entre os potenciais vetores de alta para 2026 estão entregas do programa Caminho da Escola, encomendas de micro-ônibus do Ministério da Saúde, pedidos da Argentina e a renovação da frota de ônibus urbanos no Brasil.
Por outro lado, o banco espera um 4T25 mais fraco, devido a um mix de entregas menos favorável, e um 1T26 morno, em razão das férias coletivas nas plantas brasileiras até 19 de janeiro.
Continua depois da publicidade
Tupy (Market Perform) e Iochpe
As empresas com maior exposição a veículos pesados na América do Norte continuam sob pressão. O banco mantém visão cautelosa para Tupy (Market Perform) e Iochpe (Outperform) em 4T25 e 2026, diante da demanda mais fraca por veículos comerciais na região. Embora veja espaço para revisões negativas de resultados em ambas, a rentabilidade da Iochpe tem se mostrado mais resiliente do que a da Tupy.
O Itaú BBA espera geração positiva de caixa e algum desalavancagem na Iochpe em 2026, enquanto a Tupy obteve recentemente um waiver de covenant, com limite de dívida líquida/Ebitda de 5,5 vezes até o fim de 2026. A Iochpe negocia a 5,6 vezes P/L para 2026, contra 9,5 vezes da Tupy, com assimetria negativa para esta última.
Mahle Metal Leve (LEVE3)
Por fim, o banco mantém Mahle Metal Leve (LEVE3), com preço-alvo de R$ 38, avaliando que o modelo de negócios diversificado sustenta uma performance resiliente, com cerca de 40% da receita vinda do aftermarket. Apesar do upside limitado, o risco de queda também é baixo.
Continua depois da publicidade
A equipe espera melhora de rentabilidade com a expansão das linhas térmicas e projeta payout semelhante ao de 2025 em 2026, em torno de 66%, dado que a alavancagem segue acima da média histórica.