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Os Treasuries dos Estados Unidos lideram uma alta global dos títulos de renda fixa, à medida que a venda de ações ligadas à inteligência artificial se aprofundou, aumentando a demanda por ativos considerados mais seguros.
Os ganhos ao longo de toda a curva dos títulos do governo americano nesta quinta-feira (15) fizeram o rendimento dos papéis de 30 anos cair 12 pontos-base, para 5,39%, o menor nível em três semanas. Já os contratos futuros do Nasdaq 100, índice com forte peso de tecnologia, ficaram para trás depois de o indicador recuar 1,9% na quarta-feira.
Investidores também buscaram segurança em títulos soberanos de outros países, levando os rendimentos de papéis do Japão, Reino Unido, Alemanha e Austrália a caírem até 10 pontos-base.
“O movimento de aversão ao risco está no comando à medida que as ações de tecnologia recuam”, disse Erik Liem, estrategista de juros do Commerzbank.
Os operadores passaram a precificar cerca de 35% de chance de o Federal Reserve elevar os juros ainda neste mês, depois que os preços ao produtor nos EUA registraram em setembro a maior alta em mais de quatro anos, refletindo o impacto do aumento dos custos de energia sobre a economia.

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O dado reforçou a leitura de inflação ao consumidor acima do esperado divulgada na quarta-feira, que havia provocado uma venda temporária de Treasuries. Os mercados já precificam integralmente uma alta de 25 pontos-base até o fim do ano.
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“Os mercados parecem estar mais confortáveis com o prazo dos títulos, e as preocupações com IA observadas durante a noite ajudaram a pressionar os juros para baixo”, afirmou Molly Brooks, estrategista de juros da TD Securities. Ela destacou ainda que componentes dos relatórios de inflação divulgados nesta semana, que alimentam o indicador preferido do Fed, podem contribuir para uma leitura mais baixa, abrindo espaço para nova valorização dos títulos.
Mesmo assim, as preocupações com a inflação foram superadas pela busca dos investidores por proteção, diante dos questionamentos sobre a sustentabilidade dos gastos com inteligência artificial em um cenário de juros mais altos.
A reviravolta intensifica o debate sobre se os títulos públicos voltaram a oferecer valor após a forte liquidação que levou os rendimentos aos maiores níveis em vários anos no início deste mês. Gestoras como a Pimco e a Morgan Stanley Investment Management veem oportunidades em renda fixa, ainda que a aceleração da inflação e a elevada oferta de dívida dos EUA mantenham vivo o risco de novas vendas.
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Um índice que acompanha o retorno dos Treasuries acumula alta de quase 0,7% neste mês, após ter recuado 2,2% em setembro. Se o desempenho positivo for mantido, será o melhor mês de outubro para os Treasuries desde 2014, segundo dados compilados pela Bloomberg.
“Parece que, ao menos no curto prazo, a venda de títulos está começando a perder força”, disse Andrew Canobi, diretor de renda fixa da Franklin Templeton.
Debate continua
Apesar da recuperação, nem todos acreditam que o movimento seja duradouro.
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Segundo a PGIM, os juros devem permanecer em níveis mais altos nos próximos anos, em razão do crescimento sólido dos EUA, da inflação acima da meta e de fatores como tarifas comerciais, que podem prolongar o ciclo de aperto monetário do Fed.
“No longo prazo, o ambiente ainda pode ser baixista para os títulos”, afirmou Robert Tipp, estrategista-chefe de investimentos e responsável global pela área de renda fixa da PGIM. “O mercado havia se antecipado ao Fed e estava preparado para um período de consolidação. É isso que estamos vendo. Será um mercado dentro de uma faixa de negociação, mas com mudanças táticas bastante agressivas.”
Por ora, a demanda por títulos tem sido impulsionada pela pressão vendedora sobre as bolsas, especialmente nos Estados Unidos e na Coreia do Sul.
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“Parece uma continuação do sentimento recente de aversão ao risco observado nas bolsas asiáticas”, avaliou Uma Choudhury, estrategista do Westpac. Segundo ela, a valorização dos Treasuries reflete uma típica corrida para ativos de proteção.
Comentários mais dovish de alguns dirigentes do Fed também contribuíram para o cenário positivo dos títulos americanos. A presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, afirmou em entrevista à Reuters que novas altas de juros provavelmente serão necessárias, embora não de forma imediata.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, tem discurso previsto para o fim da noite desta quinta-feira, no horário de Nova York, em Bangcoc.
Dólar perde força
Enquanto isso, o dólar recuou após atingir o nível mais forte desde maio de 2025. Fundos de hedge reduziram posições compradas na moeda americana frente a diversas divisas, incluindo o euro.
“A relação entre juros e câmbio é relativa, mas também depende de fluxo”, disse Rodrigo Catril, estrategista do NAB, em Sydney. “A recente valorização do dólar pode ser explicada pela abertura do diferencial entre os rendimentos dos EUA e de outros países. Se os Treasuries caírem de forma significativa em relação aos demais mercados, o dólar tende a reagir.”
A recente alta dos títulos globais reacende o debate sobre o papel dos Treasuries como porto seguro em momentos de turbulência nos mercados acionários.
“Foi criado muito mais valor nos mercados centrais de títulos soberanos”, disse Kerry Craig, estrategista global de mercados da JPMorgan Asset Management. “Os títulos públicos podem ajudar tanto no rebalanceamento de carteiras quanto na diversificação do risco de concentração existente hoje nas ações.”
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